segunda-feira, 7 de julho de 2008

Os cariocas, a Libertadores e o Brasileirão

Eu gosto de futebol. Adoro futebol. Vou ao maracanã sempre que posso. Assisto aos jogos ou mesmo alguns trechos de jogos porque podem ser interessantes ou mesmo decisivos. Foi assim com alguns jogos da Liga dos Campeões, as semis e a final da Eurocopa, por exemplo. E foi assim também com as finais da Copa Libertadores.

O que não dá para entender é por que todo brasileiro estaria obrigado a torcer pelo Fluminense? Digo de coração: não torci, nem contra nem a favor. Assisti ao jogo. Só isso. Mas acho que cada um é livre para escolher para quem torcer. Meu argumento é muito simples: eu não me sinto representada pelo Fluminense. No início do torneio eu torcia por todos os times brasileiros. Queria que todos avançassem na tabela para que a Conmebol pirasse e tivesse que tirar alguma outra regra doida para sabotar a trajetória brilhante dos brasileiros. Fomos ficando pelo caminho e no fim, o comportamento do Fluminense não me cativou. Devo ser condenada por isso? E mais: os flamenguistas são culpados pela derrota tricolor? Faça-me o favor. Não ficassem jogadores e comissão técnica falando mais do Flamengo do que de suas próprias preocupações. Agora ficam bancando os pseudo-patriotas-traídos resmungando da torcida contra. Se não aguentam a pressão, joguem Playstation!

Falando sério, o que eu queria mesmo é que o futebol carioca mostrasse sua força. Não quero torcer por um Flamengo engrandecido pelo fracasso dos outros times num campeonato meia-boca como o Carioca. Quero brilhar entre estrelas de primeira. Por isso que torço de coração para que o Dinamite tenha uma gestão magnífica no Vasco (porque o cara merece respeito de quem gosta de futebol e para que ganhar do Vasco continue não tendo preço). Quero que o Bebeto consiga mostrar quem é o Glorioso que eu sempre respeitei (e que graças ao Montenegro, hoje eu nem reconheço). Quero que Fluminense deixe a lanterna e dê orgulho ao meu pai (porque ele merece, uai). Quero olhar para o futebol carioca e não sentir constrangimento algum em perder para um desses times. Porque isso é futebol: ganhar e perder. “O vento que sopra aqui é o mesmo que venta lá” já diz a canção. Quero torcer para que o Flamengo seja sempre o melhor entre grandes campeões. Isso não significa que vou torcer por eles em cada um de seus jogos – que isso fique muito claro! – mas que torço sim para que mostremos ao mundo porque o Rio é a terra do samba e do futebol, ora bolas!

Na verdade, eu quero mais! Quero ver futebol de verdade, futebol arte, futebol sério, sem bicos pro alto, sem excesso de toques laterais nem jogadores mandando torcedores se calarem. Quero jogadores comprometidos com seus times dentro de campo, deixando a falação para as equipes de reportagem. Estou legal de jogadores-celebridades que fazem tudo por um flash e um microfone e que querem ganhar jogo no grito.

Se algum dia esse utópico cenário se tornar realidade, talvez tenhamos uma torcida menos agressiva e mais tolerante às diferenças. Se os jogadores não demonstram respeito entre si, como cobrar isso dos torcedores? Estamos no limite entre a piada e a ofensa e isso é deprimente.

Enquanto isso, só me resta curtir o melhor início de temporada do Brasileirão dos pontos corridos. Avante Mengão! Pé no chão que esse Brasileiro é nosso!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Carta para a bela Bela

Rio de Janeiro, 28 de Junho de 2008.

Querida Amiga!

Estou com tanta saudade de você! Hoje me deu um apertinho no peito, sabe como é? Passa um pouquinho da meia noite. Eu estava com a Carlinha e com o Fernando lembrando de quando te enchemos para que você procurasse pra gente uma camiseta do Gentileza em uma lojinha no fim de uma galeria que ficaria no fim de uma ruazinha lá em Niterói. E não foi a primeira vez que falei de você hoje. Eu estava histérica pois eu não conseguia achar seu telefone e queria muito ouvir sua voz.

Estou pra te ligar desde que recebemos os cartões. Isso! Recebemos os cartões! Eu amei, quase chorei... Todos adoraram, Belinha! E foi um rebuliço porque, por mais discreta que eu tentasse ser, é óbvio que eu não consegui. "A Bela nos mandou cartões!!!!!", eu gritava baixinho e entregava mais um... E eu fiquei muito, muito feliz com o meu. E faço idéia de quantos lugares maravilhosos, além de pubs e bares fabulosos você já não conheceu. E teve show da Joss que eu não fui porque era muito caro e eu fiquei muito frustrada. E eu queria te ligar pra falar tudo isso e não conseguia porque não achava o raio do número do telefone. E eu estava inconformada.

Aí fui ler seu blog. Consigo te ver a cada post, xingando o framenguista (só te perdôo por falar assim porque estou com muuuuuitas saudades) e a joaninha, arregalhando os olhos miúdos a cada novo castelo, rindo sozinha pra dirigir pela primeira vez um "carro do avesso", te imagino deslumbrada no show do Pete ou empolgada arrumando incansavelmente o quartinho renovado (que, à propósito ficou lindo!). Pensei em comentar os posts, mas era tanta coisa pra falar que o spaces provavelmente me barraria pelo excesso de caracteres. Por isso comecei essa carta....

No mais tudo quase igual. Além de uma separação, um bebê chegando agora, outro bebê que chega no ano que vem, o coral que vai fazer outra apresentação, um estagiário que vai virar empresário, uma ex-estagiária que vai mudar de emprego e um relacionamento totalmente inesperado, acho que está tudo na mais monótona normalidade.

É isso... Muito bom saber que você está aproveitando cada minuto dessa experiência. Muito bom saber que esse novo mundão que invade o seu coração ainda deixa um pedacinho pra gente que ficou aqui um pouquinho pra trás, mas que não te tira da cabeça...

Um beijo enorme, Comprida!!!!
Claudinha


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Nada que não tenha visto antes

Trecho de J'en connais (Carla Bruni)

J'en connais même tellement qu'ça me prend trop de temps,
Et ma pauvre maman se dit en soupirant,
"Qu'ai-je fait pour cela ?
Est-ce de ma faute à moi,
Si ma fille est comme ça ?"

J'en connais dans chaque port,
Dans chaque sud, dans chaque nord,
J'en connais sans efforts,
J'en connais qui vont dire,
Que je suis bonne à maudire,
Et moi ça me fait sourire...

E então, além de rir, só posso dizer: "Aê! fala serio!!!!"

domingo, 15 de junho de 2008

O Menestrel

Depois de 3 anos voltei a um show do Oswaldo. Casa lotada. Quem nunca foi ou não gosta dele pode se perguntar como isso pode acontecer, uma cara que pouco aparece, com fama de chato e que insiste em escrever contos de fadas hippies em pleno século 21, lotando uma das das maiores casas de show do país. Mas acontece, e não é surpresa nenhuma para os seus fãs que esgotam os ingressos na primeira semana de vendas.

Dessa vez não vou dizer que foi perfeito. Por um simples detalhe: não gostei do som. Não parecia 100% ajustado. Parecia grave demais, mas não entendo do assunto. Li que no show de BH os fãs perceberam muitos problemas técnicos e não sei se existe alguma relação. Mas pessoalmente eu sempre apreciei o trabalho do Oswaldo pelo capricho e pela atenção aos mínimos detalhes de suas produções e por isso fiquei tão incomodada.

Mas de positivo, em contra-partida, tem todo o resto. O clima, a platéia, o set-list, o cenário mais simples do mundo, o improviso de uma música composta no palco e a surpresa da chegada do Milton Guedes com seu sax, flauta e assobio no meio de Lua e Flor.

Eu não havia pesquisado nada sobre o DVD Intimidade, justamente o que estava sendo lançado neste show. E isso me gerou pessoalmente uma grande e emocionante surpresa: Lume de Estrelas. Sempre que alguém me pergunta se tenho alguma música favorita eu me arrepio pois não consigo dizer uma apenas. Por Brilho, Ao Nosso Filho Morena, Se puder Sem Medo, Estrelas, Sem Mandamentos, sei lá. Cada uma tem um momento. Mas Lume de Estrelas me toca lá no fundo, sabe? Demorei até para reconhecer a música. Estava totalmente habituada a tê-la apenas para mim. Quando muito ouvia o Beto cantar. Cheguei mesmo a pensar que era daquelas criações renegadas pelo seu criador. Mas não é! Quando percebi o que ele ia cantar, meu coração disparou. Gente, pára! Eu sei que é clichê e é piegas, mas foi isso aconteceu caramba! Me deixem curtir o momento que ainda está fresquinho na minha cabeça. E, como diria Gump (o Forrester): "e é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso."

Humor: em estado de graça até o ano que vem!

Para os não-iniciados:



Lume de Estrelas

(Oswaldo Montenegro/Mongol)


Toda vez que eu volto, tô partindo

E no sentido exato é por saudade

Ah, coração! taí a festa e nós

Por aí vai nossa colorida idade


Diga depressa com quantas paixões

Faz-se a canoa do amor que a gente quer

E quando eu não voltar acenda o mesmo lume

De estrelas que eu deixei no teu olhar





terça-feira, 3 de junho de 2008

Vento de Maio

Maio acabou de acabar. Principal evento: minha chegada aos 35 anos. Nunca encuquei muito com o fato de chegar aos 30. Tenho curtido muito essa fase balzaquiana e é normal me ouvirem dizer que não troco meus 30 pelos 20 nem em sonho. Tudo bem que muita coisa que eu gostaria de ter feito eu ainda não realizei, mas no geral estou bastante satisfeita.

Atendendo a pedidos, ou melhor, ao pedido da Bela, seguem os detalhes do 14/05:
  • Comemorei da zero hora até a meia-noite, literalmente!
  • O dia estava simplesmente LIN-DO!
  • Eu parecia uma criança em dia de festa.
  • Tudo dava certo (não deveria ser sempre assim?).
  • Tive muitas pequenas surpresas legais, a esmagadora maioria relativa a palavras carinhosas que eu definitivamente não esperava.
  • O almoço foi com o pessoal do trabalho, mas tinha um gostinho inconfundível de festa!
  • Eu não consegui trabalhar direito.... errrr
  • A noite foi deliciosamente maravilhosa, graças à presença de um grupo super querido de amigos e à acolhida do Rio Rock & Blues Club - Lapa, ao som de Alê, Marcelo, Daniel e Walter.
  • Fui devidamente apelidada de "Gazela Saltitante" (pensando bem, podia ser pior já que poderiam ter cantado: "ela está descontrolada!" pois caberia certinho).

Concluindo: foi um dia maravilhosamente especial!

Não é preciso muito para me fazer feliz!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Text-To-Speech

Recebi hoje por email e vamos compartilhar: você escreve e... o avatar fala!!! É show de bola!

Na verdade é o demo de um site que vende uma ferramenta para criação de avatares falantes a serem incluídos em peças corporativas, mas... who cares! O avatar pode ser masculino ou feminino e são várias opções de vozes para cada idioma. Alguns têm até mesmo sotaque diferenciado como o francês da França e o canadense. E já ia esquecendo: os olhos do avatar seguem o mouse... Sinistro!

Eu já ri muito colocando a senhorita arrumadinha com cara de âncora da CNN para falar alguns palavrões básicos, mas o mais divertido mesmo é indicar um idioma qualquer e escrever em português: a gringa (ou o gringo) vai falar com português com sotaque! Muito bom!

aqui.

domingo, 1 de junho de 2008

Tudo Novo de Novo

Enfim o novo template!

Não é bem o que eu queria mas acho que é exatamente o que eu precisava. Simples e moderninho sem ser mulherzinha. Tenho muita coisa pra escrever. Estou com muita vontade mesmo de encher novamente este espaço com minhas baboseiras e mesmo minhas paranóias.

Agradeço ao Ock pela paciência (acabou não sendo nenhum daqueles lay-outs exaustivamente selecionados, né Amigo? rs) !

Vamos ao trabalho! Não hoje porque tá frio e eu vou ver filminho no sofá...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Tem sempre uma primeira vez

Estou com muita raiva. Nunca pensei que fosse me sentir assim com relação a alguém que amei tanto. Paciência.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

É assim que vai ser?

Deu no Bluebus: 33% dos homens acham que não tem problema em terminar por email. Acho que a era digital está, definitivamente, começando a sequelar as relações humanas.

É tanta tecnologia de comunicação que deixaria até Chacrinha embasbacado. O curioso é que sobra mensagem, mas falta intimidade. Falta aquela mensagem pessoal, o contato, o sentimento por trás da mensagem. Aquele que não é “encaminhável”.

De acordo com a pesquisa em questão, até que rola uma mensagem pessoal, mas não se trata de um mensagem de apoio ou de carinho, mas uma paulada na cabeça. Já que não é preciso olhar no olho, cresce o número de covardes simpatizantes da prática de terminar um relacionamento com uma mensagem. De certa forma a TV meio que profetizou isso quando mostrou a Carrie de Sex and the City recebendo um toco através de um famigerado e despretencioso Post-It (não me lembro o nome do canalha e muito menos a temporada; quem sabe um dia eu atualizo aqui...). Mas o fato é que banalizou-se a impessoalidade. Estamos, cada vez mais, usando nossos poderes para o mal. Onde vamos parar? Espero que não seja isolados em cubículos cercados de cabos e telas por todos os lados. Oops, acho que já somos assim...

Feliz 2008!

O universo blogueiro nunca esteve tanto em discussão. E eu fico pensando se realmente devo me incluir nessa elite da contra cultura que luta pela liberdade de expressão ou simplesmente pela utopia da informação totalmente compartilhada.

Não escrevo decentemente há muito tempo. Assunto não faltou. Passou Natal e até o ano mudou. O carnaval já passou e a Mangueira não decepcionou (afinal, eu pelo menos não esperava nada diferente do pseudo-desfile da verde-e-rosa). E por aí vai.

Na minha vida também as coisas não necessariamente seguiram o caminho que eu esperava. No fim das contas, nada mudou. Mesmo bat-emprego, mesmo bat-endereço, mesma bat-mesmice. Até aí tudo bem. Só que tudo isso sem a tal da inspiração. Aí é fogo.

O lado bom? Passei a admirar ainda mais escritores. Colunistas então, nem se fala! É talento mesmo. Escrever todo dia, com ou sem assunto, com ou sem inspiração. Impressionante.

E por isso é que volto ao meu espaço querido. Como já escrevi e reescrevi várias vezes por aqui, escrever precisa de exercício. E vou voltar a me exercitar na marra mesmo. Posso perder algum dos meus 7,5 fãs, mas é risco que tenho que correr. Vai rolar uma ou outra baboseira, ok? Mas é por uma boa causa: a minha! =)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Então é (quase) Natal!

E começa a temporada de comerciais fofos e tocantes. Nada contra, até gosto. Então lá vai o sempre esperado filme natalino da Coca-Cola. É a "corrente do bem" versão natalina, ou melhor, "passe o espiríto natalino adiante" !

HO HO HO!!!


quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Quem sabe um dia?

Isso muito me interessa: entre 128 países, o Brasil é apenas é o 74º no ranking de igualdade entre sexos do Fórum Econômico Mundial. A medição é feita por pontos e o Brasil totalizou 0,6637 ponto. Quanto mais perto do número 1, menores são as diferenças entre homens e mulheres em quatro áreas: participação econômica e oportunidade (salários, inclusive), realização educacional; poder político e saúde e sobrevivência, área que analisa e compara a expectativa de vida relativa entre os dois gêneros. Detalhes do ranking aqui.

Lembro-me sempre das entrevistas de emprego: “Casada? Sem filhos? Sei...” Como se eu só estivesse esperando conseguir um plano de saúde para parir logo em seguida. Depois vem aquele papo de que mulher é instável emocionalmente, chora à toa e se compadece de qualquer “draminha”, o que lhe incapacitaria de assumir possíveis chefias. Ou mesmo o fato de ser mãe a torna uma pessoa indisponível para viagens (que sinceramente nem sei se são tão necessárias assim considerando o alto nível de conectividade das telecomunicações). Depois de muitos anos, pela primeira vez trabalho numa empresa onde o marido pode ser dependente da mulher nos benefícios da funcionária. Mesmo assim, no meu departamento não há nenhuma mulher em cargo de chefia.

Agora o congresso caminha para a aprovação da licença maternidade de seis meses. É óbvio que acho que quanto mais tempo os pais (veja bem, eu disse “OS PAIS”) puderem ficar com seu bebê recém-nascido, mais chances de estabelecer-se ali uma família mais saudável e feliz. Entretanto vai ser um parto (perdão pelo trocadilho) para uma mulher conseguir emprego. Tomara que eu esteja errada. Outra coisa que me angustia é igualdade que se faz na marra. A empresa percebe que tem poucas mulheres gerentes e acaba adotando o gênero como critério de desempate. A competência ficou para trás. Totalmente injusto.

Soluções, não sei quais são. Quem sabe um dia o ser humano - anterior à existência de gênero ou raça - possa ser totalmente respeitado em suas diferenças. Tudo o que quero é poder trabalhar e ser feliz no que faço, sem ter que matar dois leões por dia: um pela profissão em si e outro para provar que sou tão boa ou até melhor do que qualquer homem em meu lugar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Desesperança

Diziam os especialistas que o Brasil não tinha uma legislação de trânsito eficiente. Tratava-se de um emaranhado de regras divididas entre o Código de Trânsito então vigente, as Leis das Contravenções Penais e o próprio Código Penal. No esquema do “deixa que eu deixo” entre tais legislações, várias lacunas se criaram e o caos e a impunidade tomavam conta do trânsito brasileiro.

Nasceu o novo Código Nacional de Trânsito, através da lei 9.503, de 23 de setembro de 1997. Completo, moderno e eficiente, ele regularia o sistema nacional de trânsito, ditaria normas gerais de circulação e conduta, trataria de pedestres e condutores de veículos não motorizados, da educação para o trânsito, da sinalização, dos veículos, seu registro e licenciamento, da habilitação para a condução de veículos automotores, iria dispor sobre as infrações, penalidades, medidas administrativas e processo administrativo, além de inovar, criando então crimes especificamente de trânsito.

O grande destaque foi o fato de que esse novo Código elencou condutas que antes não eram consideradas crimes, senão meras contravenções penais, além de ter agravado as penas de crimes que eram previstos apenas no Código Penal. A esperança, lembro-me bem, era ter neste Código um instrumento de prevenção e principalmente de educação para frear o crescente número de tragédias provocadas por acidentes de trânsito.

Não conheço as estastísticas mas, passados dez anos, não é arriscado afirmar que o Código é motivo de piada. A rigidez mostrou-se uma grande falácia. Ninguém tem medo de perder a carteira por conta de 20 pontos perdidos. De que adianta uma lei perfeita se ela não é aplicada ou mesmo respeitada? O pior é que tudo se reflete na perda de vidas e na destruição de famílias. Por pura irresponsabilidade generalizada: daquele que não respeita à lei e daqueles que não zelam por sua aplicabilidade. Triste. Muito triste.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

PersonalDNA

Segundo o site PersonalDNA (dica da Nicole) me descobri como uma líder benevolente. Ainda não digeri se isso é bom ou ruim, mas... Para conhecer os detalhes sobre o meu mapa (sim, essa de tirinha de cores aí em cima é o mapa!) é só passar o mouse sobre cada uma das cores. Eu adoraria saber o resultado de quem mais fizer estes testes! =)

Panis et Circensis

Este é o nome da obra tropicalista que, durante o período da ditadura militar brasileira, fez analogia à política de César que tinha o objetivo de satisfazer o povo dando-lhe comida e diversão (pão e circo) para limitar assim o poder de crítica e contestação do povo frente às questões políticas, sociais e econômicas que eram convenientes ao então Imperador.

Por que eu me lembrei disso? Porque cheguei à conclusão de estamos realmente ferrados. Considerando que a tática secular do “pão e circo” tenha funcionado, explica-se assim a apatia de nossa sociedade. Só que do tal "pão e circo" também não temos visto lá grande coisa. Do “pão”, acho que não preciso nem falar. É “chover no molhado”, “ensinar missa ao vigário” e tantas outras expressões populares. É carga tributária, inflação dissimulada, desvio de verbas, corrupção generalizada, é tanta coisa que só sobram as migalhas do pão dormido. Mas estamos acostumados a isso, não é mesmo? Damos um jetinho aqui, aperta dali e seguimos em frente.

Mas aí eu me pergunto, e o “circo”? Cadê a parcela de diversão? Seria o Esporte? Lamento informar, mas tá difícil. Alguém me explica o que é a federação carioca de futebol (em letras minúsculas mesmo porque tal instituição definitivamente não existe, logo não demanda nomenclatura diferenciada)? Até quando o futebol carioca vai ser essa vergonha? Não sobra um time ileso a mal resultados e escândalos. Cartolas intragáveis e asqueirosos. Infelizmente esse privilégio não é só do Rio de Janeiro. Cutuca-se um pouquinho e vamos encontrar fácil um rabo preso sendo revelado em qualquer canto do país. A bola da vez na sinuca dos escândalos é o Corínthians. O ventilador cheio de caquinha (para não falar outra coisa) está soprando para cima de todo mundo que algum dia pisou no Parque São Jorge. Mas pera lá! E no mundo? Ora, o futebol italiano teve seu inferno astral em 2006, salvo apenas pelo sucesso da azurra da copa do mundo. Sem falar na tristeza de ver jogadores do mundo todo morrendo na TV, caindo em campo, e ter que engolir que os clubes não sabiam que eles tinham alguma disfunção. Ou seja, falar de futebol ultimamente tem sido repetir escândalos e resultados xinfrins. Tristeza...

E não acaba por aí. A coisa podre está se alastrando também por esportes milionários de verdade, aqueles ditos de “alta desempenho e perfomance”. Caiu na “boca de matilde” o caso de espionagem da McLaren e a subseqüente decisão da FIA sobre o assunto. Eu mesma, que me graduei especialista no tema, posso afirmar categoricamente que ainda ficou caroço embaixo desse angu. E o New England’s Patriots? Não está sabendo? Pois é, até no futebol americano (que tem a NFL cuja fama é de ser a liga mais rigorosa do planeta) rolou barraco. E não estou me referindo ao jogador que promovia brigas de cachorros (esse é o Michael Vick do Atlanta Falcons) mas do time de Tom Brady (o namorado bonitão da Gisele B.) que também envolveu-se com espionagem (o time, não o Tom), por filmar os códigos da defesa de um de seus adversários, no caso, o New York Jets. O Técnico teria usado esse know-how duvidosamente adquirido, no prórpio confronto direto contra os Jets e, comprovado isso, a coisa ficou feia. Barato não saiu. Mas a grande questão é que o Patriots, assim como a McLaren, são consideradas as equipes f*donas da temporada e não teriam porque fazerem isso. Mas do que nós entendemos, não é mesmo?

Futebol, Football ou Fórmula 1, a questão é que ficou tudo milionário demais pra ser circo somente. Dizem que “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” mas está dificilíssimo conseguir qualquer uma delas. Do pão, mal temos migalhas e do circo, só vejo os palhaços. E eles, mais do que nunca, me dão medo.

domingo, 16 de setembro de 2007

Na cadência bonita do samba

O samba tem um poder inexplicável. Renova forças, traz energia, traz esperança. Não consigo traduzir em palavras a alegra de ouvir um dedilhado no violão acompanhado por uma batucada por mais simples que seja. Me provoca um torpor totalmente ímpar. Não há nada parecido. É como se os problemas acabassem. Se a insegurança não existisse. Se a saudade não tivesse razão de ser. Alienação? Claro que não! E não sou eu quem afirma. Veja só: “Com os sambistas eu aprendi muita coisa. O samba é uma lição de vida. A alegria do brasileiro, que muita gente chama de alienação, não é alienação. É vontade de dar a volta por cima. É resistência. Isso é samba.” Disse Beth Carvalho em entrevista para a MTV. Não precisa procurar muito. Vinícius musicado por Baden também declara que "há sempre um novo amor em cada novo amanhecer". É tem ainda o clássico “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” que ouvimos há muitos anos e duvido que não seja o deseja profundo de alguém num momento de dificuldade.

Os primeiros registros sobre o samba no Brasil vêm do século 19 e obviamente estão relacionados aos ritmos introduzidos por escravos praticamente em todo o território. Para chegar ao que o conhecemos hoje, o samba deixou-se influenciar por temperos baianos e malícias cariocas. Uma das características deste novo mestiço tupiniquim é que ele nunca perde a contemporaneidade. Pelo que se tem notícia, o primeiro samba gravado é o célebre Pelo Telefone de Donga que data de alguma data entre 1903 e 1917 (cada site diz uma coisa).

O chefe da polícia
Pelo telefone manda lhe avisar

Que na Carioca
Tem uma roleta para se brincar

Gilberto Gil fez um upgrade e gravou Pela Internet:

Que o chefe da polícia

Carioca, avisa Pelo celular
Que lá na Praça Onze
Tem um videopôquer para se jogar

Quer outro exemplo? Que me perdoem as feministas de plantão, mas toda vez que toca Amélia, o povo se esgoela pra cantar. Homens e mulheres. Vai entender? Acho que a mulherada está um tanto cansada da jornada dupla casa/trabalho e não acha mais tão má idéia assim, ser uma boa dona de casa. Tudo bem que “não tinha a menor vaidade” e “achava bonito não ter o que comer” não são nada inspiradores, mas que o povo canta, canta. E samba muuuuito. Quer mais? Até a Liga das Escolas de Samba passou a autorizar a reedição de sambas-enredos. Por quê? Ora, porque eles não se desatualizam nunca. Fazer o quê, né?...

Não imagino um mundo sem samba. Quando eu era pequena eu acreditava piamente que samba era “coisa de velho”. Hoje, eu já prefiro dizer que, se é assim, então eu sempre fui velha. Tudo bem. Bom, o fato é que este post não tem a menor intenção de ser uma ode ao samba. Ele não precisa disso. Mas para mim é fonte de inspiração certeira. Sempre. Revigora. Encoraja. Anima.

O samba é companheiro e é conselheiro. É mãe e pai. É democrático. É sofista e socrático. É poético e melodioso. Mas acima de tudo é harmonioso. O samba é ritmo. É coração. E assim, sem ele não há pulsação, não há vida. Se houver, é insossa e, definitivamente, arrítmica.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

As Relíquias Mortais


Recorde total e absoluto: 608 páginas em menos de 48 horas. Doeu um pouco. Os olhos ardiam. As duas jornadas diárias desse meio tempo foram duras. Mas valeu a pena. E como valeu. Rowling conseguiu colocar um ponto final de ouro aos sete volumes que nos transportam ao universo pelos olhos de Harry Potter.

Rowling finalizou a saga do bruxinho (que, neste volume, não tem nada mais de bruxinho) como se propôs a fazê-lo desde o primeiro volume. Foi fiel ao fio condutor que estabeleceu para toda a estória sem “temer” a reação dos fiéis leitores. Tenho certeza que tais reações serão as mais diversas, entretanto ninguém vai poder dizer que ela não foi coerente.

O livro é mais sombrio. Pudera, com o grande número de mortes e torturas que recheiam os 36 capítulos. O amadurecimento do trio protagonista é notável. O destaque, claro, é Hermione e a solução que ela encontrou para deixar seus pais seguros no mundo trouxa. Até Rony nos presenteia com algumas tiradas realmente muito surpreendentes (mas logo volta ao normal).

As mortes pré-anunciadas são realmente emocionantes. Na verdade até aquelas tidas como secundárias também mexeram comigo. Mas tem muito mais: casamento, nascimento, brigas, reconciliações, seqüestros, fofocas, beijos, batalhas e, acima de tudo, várias surpresas. Tudo muito intenso, como eu esperava de Rowling.


Bom, com o recorde de leitura que me refere lá no começo, acabei me criando um enorme problema: Não tenho com quem comentar o livro! AHHHHHH! Resultado. Quem não quiser saber mais sobre “As Relíquias Mortais” aviso que se despeça do post por aqui, ou aceite as conseqüências e não me perturbe depois, combinado?

Listo aqui o que eu menos gostei e o que mais amei no livro (sem ordem de preferência, ok?). Quem realmente quiser ler, é só selecionar o texto com o mouse (ainda dá tempo de desistir, viu?).

Poderia ser diferente:

* O tão esperado beijo do Rony e da Hermione podia ter sido em outra hora e outro local não? No meio da batalha, rápido e corrido, com o Harry os observando impacientemente enquanto pensa no que ainda precisa ser feito. Sem condições. Fiquei com a impressão de que a Rowling terminou o livro e alguém perguntou “e o beijo, não vai sair?”. Aí ela bateu com a palma da mão na testa e encaixou-o onde daria menos trabalho reescrever.
* A morte de Remo e Tonks. Sei lá. Precisava matar os dois. Acho que um só bastava para ilustrar a intensidade da batalha. Assim pareceu o início de mais um ciclo com um órfão mestiço que perdeu os pais para salvar a comunidade bruxa daquele-que-não-deve-ser-nomeado.
* Senti falta também de um encontro de Harry com seu afilhado. Nem mesmo um pensamento de Harry sobre a Criança... Poxa, os pais do guri morrem e ele nem se lembra que ficou com um afilhado órfão?!
* O livro está enorme, eu sei. Mas não me importaria de ler mais algumas páginas se elas me dessem todos os detalhes sortidos das punições sofridas pelos Malfoys e por Bellatrix por sua eterna falta de sorte em manter Harry capturado e quietinho.
* O Neville ficou muito de lado nesse livro. Tudo bem que tudo girava em torno da missão de Harry, Rony e Hermione, mas senti falta do “quase-escolhido”. Gosto dele, uai!
* Fred Weasley sempre foi um gaiato, mas ele merecia uma morte menos “acidental”. Algo mais nobre ou heróico. Um duelo ou coisa parecida, mas uma parede? Fala sério!
* E vamos combinar? O epílogo me decepcionou bastante. Dezenove anos depois? Que sem graça!


O que eu amei muito-prá-caramba-demais-a-beça:


* De Rony para Draco: “And that’s the second time we’ve saved your life tonight, you two-faced bastard!” U-HUUUU!!!! Show de bola!
* Molly para Bellatrix: “NOT MY DAUGHTER, YOU BITCH!” U-HUUUU de novo!!!! Eu sabia que havia algo mais legal reservado para Molly do que ficar fazendo malabarismo com panelas!
* Potterwatch, o programa de rádio da resistência foi muuuuito legal. Pena que só teve um...

* Harry mais adulto do que adolescente é realmente apaixonante.
* A descrição da família Weasley em volta do corpo de Fred ao fim da batalha também está incrível. Jorge agachado... snif, snif...
* O Lorde das Trevas voando também foi muito f***! Super-mega-hiper demonstração de recuperação de poder!
* ‘Bellatrix’ dando “bom dia”!!!! HAHAHAHA! Só Hermione mesmo!
* Todas as pontas soltas espalhadas desde a Pedra Filosofal sobre Severo Snape foram muito bem amarradas. Pra mim Snape se mostrou o bruxo mais humano – ou melhor, “trouxa” - de todos, mais até do que o próprio Harry: confuso, ciumento, atormentado, arrependido e tudo mais.

* Augusta Longbottom. A ranzinza e exigente avó paterna do reprimido Neville foi simplesmente nota 10: além da coragem de já se expor partidária da Ordem abertamente no Profeta Diário, a doce vovó mandou Dawllish para o St. Mungos (esse também, só se ferra, coitado...) e apareceu para lutar em Hogwarts como se fosse um passeio dominical. Para mim ela podia até ter sido nomeada Ministra da Magia!
* Por último, as provocações de Voldemort para Rony na tentativa de evitar a destruição do medalhão. Muito sinistras.... Achei que ele ia amarelar e o raio da Horcrux só seria destruída no final do livro. Ufa... Deu arrepio...

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Lucidez

"O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte. O homem lúcido sabe que viver e morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a Vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.

O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência. Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo.

Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas as suas possibilidades. Passeará por seu campo aberto e por suas vielas floridas. Saberá ver a beleza em tudo. Terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e mansidão.

Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura. Pairará então, sobre sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem às pessoas.

A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento dos Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.

Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos."

Texto lido por Domingo de Oliveira no filme Separações.