Dia desses tava tudo errado. Deliciosamente errado. Quando vi, tinha ganhado novo pensar vagante. Daqueles que já tive e perdi várias vezes. Mas, principalmente, daqueles que eu adorava não fazer questão porque tava ocupada desocupando a mente, apinhando os dias e frequentando as camas. E foi fácil me deixar errar assim. A cada sábado e domingo. Foi indo, foi indo, foi vindo. A estrada nem cansava, porque tinha o cansar arfante que eu queria durante a breve estadia. Tinha muita risada e ranzinzice. E tinha a porcaria do bolinho de chuva que nunca comi. E aí eu errei. Acho que porque eu nem sei errar direito. Perguntei se tava errada. Não, beibe. Mas a resposta mesmo, certa ou errada, não sei até agora. O certo é que o acerto vai se acertando, se ajeitando. E certos e errados voltam a se ajeitar nas minhas coxas erradamente grossas porque esse é o meu certo. Mas, no fundo, pra mim - ainda - tá tudo errado.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Enxaqueca
A cabeça dói. Não tem remédio que dê jeito. Vontade de quebrá-la contra a parede. Se lembra da infância, quando alguém brincou que o melhor remédio para dores de cabeça era um bom pisão no pé. Ela – que ri de tudo – não consegue sequer rir da lembrança da tolice. Ele a havia tirado da zona de conforto. Na verdade lhe fez esquecer todas as suas defesas. E a quebrou no meio como um graveto velho. Noite após noite ela se recusava a admitir toda essa dor. Foi um caso rápido. Intenso mas rápido. [A câmera foca os olhos. O olhar da atriz deve expressar súbito esclarecimento] O pisão no pé. Pega o celular. Disca números que achava que nunca mais discaria. Números que a fariam mal. Mas que a fariam sentir alguma coisa. Números que não apenas pisariam no seu pé. Iriam arrancá-lo. E, assim, fariam sua enxaqueca magicamente desaparecer. [A câmera agora mostra um sorriso tímido de satisfação] Com pisão no pé ela sabe lidar.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Portas e Janelas
Dizem que Deus fecha portas. Nesse caso ele deixou com que batessem com ela na minha cara. Estou zonza, no escuro e com frio. Procurando a tal janela que deveria estar aberta em algum lugar por aqui...
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
MotoFAIL
Nunca neguei que sou aficcionada por conectividade e completamente viciada nos produtos Google. Assim, enquanto não consegui um telefone com Android, eu não sosseguei. Em junho ganhei um Dext da minha operadora. Como sempre optei por adquirir o celular na operadora para evitar problemas de suporte e etc e como eles não tinham o Milestone para oferecer, descartei a compra deste no varejo, pesquisei a aceitação do Dext e levei o aparelho alegre e sorridente para casa.
Consegui configurar e me familiarizar com praticamente todos os recursos do aparelho. Não sei se o mérito disso é do aparelho ou do Android. Estava feliz da vida até que o telefone travou com menos de um mês de uso. Desligava, ligava, tirava bateria, religava e nada de sair da tela inicial. Obviamente que na operadora não identificaram o problema. Entrei em contato com a Motorola via chat e o atendente também não soube dizer do que se tratava. Eu teria que levá-lo a uma Autorizada. Acontece que não tem Autorizada na minha cidade. Eles tem apenas um “posto de coleta” onde eu deveria deixar o aparelho para que, depois de alguns dias, ele finalmente chegasse à autorizada e fosse então analisado. Ou seja, previsão de 15 dias sem telefone.
Fui para a internet e descobri que outros proprietários tiveram o mesmo problema e resolveram com um boot no celular. Ele voltaria zerado - com as configurações de fábrica - mas, considerando que ele também voltaria assim da autorizada e que o MotoBlur prometia ter backup ao menos dos meus contatos, resolvi encarar o procedimento. Lindo! Problema resolvido e aplicativos reinstalados. Um mês depois ele travou novamente. Refiz o tal boot e zerei novamente o aparelho. Novamente entrei em contato via chat com a Motorola e perguntei sobre a atualização ao menos para a versão 1.6 já defasada, pois achava que assim talvez esses travamentos poderiam ser resolvidos. Nada. Se eu tentar atualizar pelo próprio aparelho, a resposta é que não há atualização a ser feita. Já estava bem insatisfeita com 2 boots em 2 meses de uso e a insuficiente versão 1.5 quando a Motorola resolveu me esbofetear³ dizendo que eu, latino-americana, não era uma cliente que eles queriam preservar: anunciaram que nenhum aparelho Milestone, Dext ou Backflip no Brasil receberia o upgrade para a versão 2.2 do Android (sequer citaram o Quench).
A explicação da empresa foi que não havia interesse dos usuários na atualização. Ou seja eu, que sou sempre alpha user, que não economizo em aparelhos desde que o celular virou artigo de uso pessoal e que aprendi procedimentos que nem o suporte a online da Motorola é capaz de realizar remotamente, não teria interesse no upgrade? Francamente. Após vários protestos em blogs, Orkut, Facebook, Twitter e notícias da mídia tradicional, a Motorola resolveu rever a decisão, mas apenas para o Milestone. Nem o Dext nem o Backflip teriam hardware que suportariam a nova versão e mesmo assim não receberão nem mesmo a 2.1 (em janeiro a Motorola havia dito na CES que esse mesmo upgrade do Dext aconteceria "o mais cedo possível"²). O curioso é que a atualização do Dext para a versão 2.1 nos EUA, Canadá e na Ásia está ao menos sendo avaliada. Não me chame de burra, Sr. Edson Bortolli¹.
Eu já tive um Motorola antes da geração GSM. Não fedia nem cheirava. Foi clonado e devidamente substituído pela operadora do celular. Mas eu via tanta gente reclamando tanto, que eu fiquei bastante cabreira em relação aos aparelhos da Motorola e acabava sempre descartando o fabricante das minhas escolhas. Achei que a chegada do Android e os lancamentos do Dext e do Milestone seriam uma redenção da marca. Ledo engano. Com 3 meses de Dext estou decidida a trocar imediatamente de aparelho. Continuarei com o Android mas nunca mais compro Motorola. Errar uma vez é engano. Duas é burrice.
(²) Existe um Tutorial no Gizmodo para quem quiser arricar a atualização não-oficial e, no caso da Claro, perdendo o 3G.
(³) A notícia inicial chegou até mim pelo Blog do The Best.
A imagem usada no post vem do twitter @motoFAIL_BR
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Sobre o fim, muralhas e aberturas
Caro Richard.
É muito difícil saber como e por onde começar. Estive pensando por muito tempo e a fundo, através de muitas idéias, tentando encontrar um meio.. Finalmente me ocorreu uma pequena idéia, uma metáfora musical, através da qual pude pensar claramente e encontrar a compreensão, se não mesmo a satisfação. Quero partilhá-la com você. Assim, por favor, peço que me tolere, enquanto passamos por outra lição musical. A forma mais comumente usada para as grandes obras clássicas é a da sonata. É a base de quase todas as sinfonias e concertos. Consiste em três partes principais: a exposição ou abertura, em que pequenas idéias, temas e miscelâneas diversas são lançados e apresentados uns aos outros; o desenvolvimento, em que essas pequenas idéias e motivos são explorados ao máximo, expandidos, muitas vezes passando do tom maior (feliz) para menor (infeliz) e voltando sendo desenvolvidos e entrelaçados em complexidade maior, até que finalmente vem a recapitulação, em que existe uma reapresentação, uma gloriosa expressão da maturidade plena e rica que as pequenas idéias não alcançam através do processo de desenvolvimento. Você pode se perguntar como isso se aplica a nós, se ainda não percebeu. Eu nos vejo embatucados numa abertura interminável. A principio, foi a coisa real, pura delicia. É a parte de um relacionamento em que a pessoa se mostra em seu melhor: divertida, encantadora, excitante, excitada, interessante, interessada. É um tempo em que à pessoa se sente mais tranqüila e mais cativante, porque não experimenta a necessidade de levantar suas defesas; assim, o parceiro aconchega um ser humano afetuoso, ao invés de um cacto gigantesco. É um tempo de prazer para ambos e não é de se admirar que você goste tanto de aberturas que se empenhe em tornar a sua vida uma sucessão delas.
Mas os primórdios não podem ser prolongados interminavelmente; não podem simplesmente serem expostos e re-expostos. Devem seguir adiante e se desenvolverem, ou morrer de tédio. Não é assim, você diz. Deve se afastar, ter mudanças, outras pessoas, outros lugares, a fim de que possa voltar a um relacionamento como se fosse novo, para ter constantes princípios novos. Nós seguimos adiante numa sucessão prolongada de reaberturas. Algumas foram causadas por separações profissionais que eram necessárias, mas se mostraram desnecessariamente duras e rigorosas para duas pessoas tão chegadas como nós. Algumas foram fabricadas por você, a fim de dispor de mais oportunidades de voltar à novidade que tanto deseja. Obviamente, a parte do desenvolvimento é uma anátema para você. Pois é a parte em que você pode descobrir que tudo que possui é uma coletânea de idéias bastante limitadas que não funcionam, não importa quanta criatividade lhes acrescente. Não resta a menor duvida de que fomos muito mais longe do que você jamais tencionou. E paramos pouco antes do que eu considerava como nossos próximos passos, lógicos e maravilhosos. Tenho testemunhado o desenvolvimento com você continuamente contido, passei a acreditar que nunca faremos mais que tentativas esporádicas em nosso potencial de aprendizado, em nossas espantosas similaridades de interesses, não importa quantos anos possamos ter, porque nunca teremos um tempo ininterruptos juntos. Assim, torna-se impossível o crescimento que tanto prezo e sei que é possível.
Ambos tivemos uma visão de algo maravilhoso que nos aguardara. Contudo, não podemos chegar lá, a partir do ponto em que nos encontramos. Estou diante de uma sólida muralha de defesas e você tem necessidade de construir mais e mais. Anseio pela plenitude do desenvolvimento adicional e você procurará meios de evitá-lo, enquanto estivemos juntos. Nós dois ficamos frustrados; você é incapaz de voltar, e eu incapaz de seguir adiante, num estado de constante luta, com nuvens e sombras escuras sobre o tempo limitado que você nos concede. Sentir a sua constante resistência a mim, ao crescimento deste algo maravilhoso, como se eu e isso fôssemos alguma coisa horrível. Experimentar as várias formas que a resistência assume, algumas cruéis, muitas vezes me causa sofrimento, em um nível ou outro. Tenho um registro de nosso tempo juntos e fiz uma análise profunda e sincera. Entristeceu-me a até me chocou, mas foi-me útil para enfrentar a verdade. Recordo primeiro ano e os três primeiros meses como nosso único período feliz. Isso foi a abertura, e foi linda. Depois, houveram as separações, com os desligamentos arrebatados e para mim inexplicáveis e a igualmente terrível evitação-resistêncial em sua volta. Longe e apartados ou juntos e apartados é uma situação por demais infeliz. Estou me observando virar uma criatura que chora muito, pois quase parece que a compaixão é necessária antes que a bondade seja possível. E sei que não cheguei até este ponto da minha vida para me tornar digna de compaixão. Encarando os fatos tão honestamente quanto me é possível, sei que não posso continuar, não importa o quanto deseje; não posso me inclinar ainda mais.
Espero que você não considere isso como o rompimento de um acordo, mas sim como a continuação de muitos e muitos finais que você tem iniciado. Acho que é uma coisa que ambos devemos saber. Eu devo aceitar que fracassei em meu esforço de fazê-lo conhecer as alegrias da afeição. Richard, meu precioso amigo, isto é dito suavemente, até mesmo ternamente, e com amor. E os tons suaves não servem para camuflar uma raiva por trás; são autênticos. Estou simplesmente tentando compreender e estancar a dor. Estou enunciando o que fui forçado a aceitar: que você e eu nunca teremos um desenvolvimento, muito menos a gloriosa expressão climática de um relacionamento desenvolvido ao máximo. Tenho sentido que se alguma coisa em minha vida merece um afastamento de padrões anteriormente estabelecidos, indo além de todas as limitações conhecidas, foi justamente o nosso relacionamento. Suponho que poderia justificar por me sentir humilhada por todos os meus esforços para que desse certo. Em vez disso, porém, sinto-me orgulhosa de mim mesma e contente por saber que conheci a rara e maravilhosa oportunidade que desfrutamos enquanto a tivemos. Dei tudo o que eu podia, no sentido mais puro e elevado, a fim de preservá-la. É o que me conforta agora. Neste momento horrível do final, posso sinceramente dizer que não conheço nenhuma outra coisa que poderia fazer para nos levar ao lindo futuro que poderíamos ter. Apesar do sofrimento, estou feliz por tê-lo conhecido desta maneira tão especial e sempre guardarei na memória o tempo que passamos juntos. Cresci com você e aprendi muito. Sei que também fiz grandes e positivas contribuições a você. Ainda sou sua amiga, como espero que você um dia possa vir a ser meu amigo. Envio esta carta com um coração repleto do mais profundo e terno amor, com toda a consideração que tenho por você, impossível de ignorar, além de um imenso pesar por ficar incumprida uma oportunidade tão cheia de promessa, tão rara e tão bela.
Leslie Parrish
Carta de Leslie Parrish a Richard Bach.
Achei a íntegra da carta aqui, mas sei que ela foi publicada em um dos livros de Bach. Completo a informação assim que obtiver mais detalhes.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Poesia Miojo
Poderia falar de caminhos
Perdidos ou achados
Passarinhos que deixam o galho
Poderia escrever em veludo
A suavidade dos meses
que emprestam brilho
A esses olhos sonhadores
Mas prefiro, amiga minha
brincar com palavras
e semear sorrisos na boca
que não deveriam
Jamais ter deixado.
Ganhei do A.B.
Obrigada, querido!
Perdidos ou achados
Passarinhos que deixam o galho
Poderia escrever em veludo
A suavidade dos meses
que emprestam brilho
A esses olhos sonhadores
Mas prefiro, amiga minha
brincar com palavras
e semear sorrisos na boca
que não deveriam
Jamais ter deixado.
Ganhei do A.B.
Obrigada, querido!
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Carta para Priscilla
Caríssima Prill,
O primeiro impulso foi te escrever de próprio punho. Buscar endereço, código postal e selo. Escolher papel de carta e envelope. Procurar a caneta que não mancha e resgatar a caligrafia redonda e caprichada. Mas aí eu já cansei, como tenho cansado de tudo. Mais verdade seria dizer que tenho me cansado do nada. Aquele vilão da História Sem Fim que cismou de me atazanar a vida.
Não, no alto de sua lindeza você não tem lido tudo errado. Eu odeio escrever ais-de-mim, mas por alguns muitos momentos era só o que me saía dos meus pensamentos tolos para o mundo. Entre aquelas vírgulas e pontos que lhe chamaram atenção, desejei desesperadamente despejar a carência então exagerada pelos 163 quilômetros de complicações fabricadas e pelos dez graus a menos de calor. Foi muito mais forte que eu, amiga, e me arrependo disso. Porque não fosse a distância, era eu que estaria num café cobrando sua presença, lembra? Mas hoje me sinto mais egoísta, mal resolvida e menos generosa. E depois dos seus recados, envergonhada.
Sim, minha querida, me envergonho das minhas fraquezas diante de demonstrações simples de carinho. Me toma inteira o constrangimento imediato daquele que vislumbra a própria tolice. Porque sim, é disso que se trata: são muitas e muitas tolices! Todo esse nada vilão do meu cotidiano se dissipa frente à primeira lembrança dos meus amores. E quantos e tantos maravilhosos são esses amores! Me destrói constatar que, por tão pouco, permito que esses amores desapareçam como que por trás daquela densa neblina avaloniana que maldigo toda fria manhã.
E por isso te agradeço, por essa reprimenda - ainda que involuntária - que me chama o juízo e me esfrega na cara amassada toda a fortuna esquecida. E tomo a liberdade de agradecer-lhe assim, para o mundo ver, porque você também é um desses amores. Daqueles intensos e deliciosos e que não se deve dar o luxo de perder de vista só por causa da distância. Acredite, estou bem. E prometo me lembrar mais vezes disso. Também te adoro, minha querida!
Com muitas saudades,
Cláudia
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Uma Janela e sua Serventia
e a camisa xadrez do moço,
só na aparência fortuitos.
O que existe fala por seus códigos.
As matemáticas suplantam as teologias
com enorme lucro para minha fé.
A mulher maldiz falsamente o tempo,
procura o que falar entre pessoas
que considera letradas,
ela não sabe, somos desfrutáveis.
Comamo-nos pois e a desconcertante beleza
em bons bocados de angústia.
Sofrer um pouco descansa deste excesso.
Do novo livro de Adélia Prado, A Duração do Dia. (via @memoriaviva)
só na aparência fortuitos.
O que existe fala por seus códigos.
As matemáticas suplantam as teologias
com enorme lucro para minha fé.
A mulher maldiz falsamente o tempo,
procura o que falar entre pessoas
que considera letradas,
ela não sabe, somos desfrutáveis.
Comamo-nos pois e a desconcertante beleza
em bons bocados de angústia.
Sofrer um pouco descansa deste excesso.
Do novo livro de Adélia Prado, A Duração do Dia. (via @memoriaviva)
sábado, 24 de julho de 2010
Sob o antebraço
O sofá cansa. A rua não atrai. O sol não se decide. Nada para ver na tv. Nem fome. Nem sono. E um livro travado. Algum conforto nos olhos fechados sob o antebraço. Mas o sofá cansa. Cheiro de ontem. Vontade nem de reticências. Só café. Não esse café. Mas café. Mais café. Talvez mais tarde. Quem sabe. Troca o braço que dormiu antes de você. Mente que está tudo bem. Escuta a música reciclada de um tempo onde tudo era menos complicado. Cheiro de fermento. Presume que é normal. Que todo mundo cansa do sofá. Mas que ninguém quer sair dele. E por isso o mundo parou. Nada se perdeu. Todos sob o antebraço. Deixa estar. Uma hora chega o sinal. Nem que seja o despertador do celular. No próximo dia útil.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Music and Me
Quem me conhece sabe que não vivo sem música. Seja em casa, no trabalho, na rua, no ônibus, onde eu estiver, vou estar ouvindo música. Em casa é praticamente um ritual. Vou colocar o CD, pegar o encarte, curtir a letra. Ver que músicos participaram desta versão. Ouvir todas as versões que eu conseguir da mesma música. Viajo pela composição. Tento imaginar o motivo da canção ser assim ou assado. Vou pra internet. Vejo o clip. Procuro trívias. Uma exagerada.
Música me relaxa. Me emociona. (E, considerando a tensão que me assola por conta das oitavas de final da Copa Santander Libertadores 2010, só com muita música na cabeça mesmo para abstrair do futebol e fazer com que o tempo volte a passar em seu ritmo normal). Mas o que acontece conosco quando ouvimos uma música, uma canção, um acordo perfeitamente harmonioso? A neurociência explica. O vídeo abaixo é parte de um congresso de neurociência onde os bravos pesquisadores conversam sobre os efeitos da música no nosso cérebro. Esse trechinho apenas mostra o quanto o ser humano está preparado para a música. Mesmo sem saber disso.
World Science Festival 2009: Bobby McFerrin Demonstrates the Power of the Pentatonic Scale from World Science Festival on Vimeo.
Não é fascinante? Quem me apresentou este vídeo foi o @uatafoc e eu não resisti e compartilhei com o pessoal do Café 22 (3a. edição). Tks, Moço!
;o)
terça-feira, 27 de abril de 2010
O Moço da Poltrona
Por gostar de televisão passei a seguir no twitter o jornalista Ale Rocha (@alerocha ou http://alerocha.com/ ). Eu achava que iria obter dicas de episódios, links para críticas, finais alternativos, etc. Mas me surpreendi ao perceber que a própria história do especialista em TV transforrnou-se numa indesejada novela. Em 2005 ele foi diagnosticado com hipertensão pulmonar e o único tratamento é o transplante dos dois pulmões. Em alguns casos (como o do próprio Ale) o coração acaba enfraquecido e bombeia cada vez menos sangue para o corpo do paciente. Esta é a primeira vez que me vejo acompanhando “de perto” um caso parecido. O jornalista altera períodos de total “normalidade”, conversando, interagindo com seguidores e comentando programas e séries de TV, com momentos de enorme amargura, relatando noites sem dormir por causas das dores, a luta por remédios, a posição da fila do transplante e a angústia pelo futuro incerto. Ale se expõe sem medo. Fala do seu cotidiano, de sua família, do seu filho. É de cortar o coração.
Falar de doação de órgãos não é simples. Para uma leiga, como eu, pior ainda. A imprensa normalmente só fala no assunto quando existe alguma comoção, um acidente grave ou alguma autoridade/celebridade envolvida. Pelo que entendo, se alguém quer ser doador de órgãos, não precisa de nenhuma burocracia. Basta que ele comunique a decisão à sua família e, em caso da ocorrência de morte encefálica (condição sine qua non: o cérebro morre e o coração continua batendo), iniciam-se imediatamente os procedimentos de coleta dos órgãos do doador. Diversos são os sites web afora que debatem a validade da política de doação/captação de órgãos adotada no Brasil. O percentual de recusa familiar também varia muito entre as fontes. Difícil saber sem uma pesquisa apurada. A pergunta base é, considerando nosso sistema de saúde, como confiar que todos os esforços foram realmente envidados para salvar aquele que amamos? Difícil também opinar sem vivenciar uma situação delicada como essa.
Na outra ponta, estão os quase 60.000 pacientes crônicos que esperam pelo transplante de algum órgão vital. Para eles o tempo flui em um ritmo diferente, totalmente único e particular. A fila, por via de regra, segue o critério cronológico de inscrição, independente da gravidade do estado de saúde de cada paciente. Quem me passou essa informação foi o próprio Ale pelo twitter. Hoje ele ocupa a 22ª posição na fila para o transplante pulmonar (onde só conseguiu ser inscrito em dezembro de 2009).
Nem sei direito porque fiquei tão inquieta para escrever sobre isso. Talvez pelos desabafos do Ale. Talvez pela ilusão de que graças à internet temos o poder de mudar qualquer coisa, seja a consciência das pessoas ou a legislação pertinente, seja o nosso sistema de saúde. Talvez pelo meu próprio medo da morte. E acredito que muita gente evite falar nisso porque também tem medo da morte. Esse não é um assunto que eu tenha presenciado em nenhuma mesa de bar, por mais que tenha amigos maravilhosos e inteligentes. Você mesmo, quantas vezes você já refletiu sobre o assunto? Já conversou sobre isso com amigos? Com familiares? Já que respirei e parei para falar sobre isso, vou até o fim: eu sou doadora. E gostaria de ver um cenário que desse segurança para que mais pessoas pudessem também declarar-se doadoras e talvez atenuássemos o sofrimento de quem está na ponta frágil da fila do transplante.
Ao jovem jornalista, continuarei a acompanhar sua novela da vida real. O que mais me fascina em sua história? É que, por mais que desabafe, ele sempre termina demonstrando uma incomparável força. Ele vive um dia de cada vez. Sacode as poeiras de cada cada batalha pessoal e segue em frente. É admirável. Sigo aqui, torcendo pelo seu final feliz.
Em tempo:
- A primeira de uma série de reportagens que o Fantástico fez com o Dr. Drauzio Varella sobre a fila do transplante.
- O site da ADOTE - Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos - muitos simples e objetivo.
- O link para a Central de Transplantes através da Secretária de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.
- (Update 29/04) A comovente história da jovem canadense Eva Markvoort, aqui e aqui.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Impotência
Não estou vivenciando ou presenciando in loco o caos na cidade do Rio de Janeiro. Comentei no último post que estou a 200 quilômetros de distância. Mas isso não diminui o aperto no meu coração. Eu juro que o lugar onde eu mais queria estar agora era lá. No meio do turbilhão, mas perto da minha família e amigos. É um dos sentimentos mais angustiantes que me lembro ter sentido na vida. Total impotência. E um tanto de revolta. Tenho ciência de que o volume de água foi absurdamente maior do que o natural. Mas me revolta ter que encarar o fato que temos que viver cada tragédia como se fosse a primeira vez. Me revolta ver que mudam os governantes e nenhum deles nunca nos dará a mínima infra-estrutura para que a gente tenha alguma chance nessa frequente luta contra o imprevisto. Me revolta ver que o povo continua jogando lixo na rua e destruindo encostas mesmo sabendo que isso nos condena todos ao caos notório das últimas 30 horas. Me revolta - e muito me entristece -estar longe de quem amo e me sentir impotente.
domingo, 28 de março de 2010
Aqui, ali e acolá
O Blog tá meio paradão mas eu não! Muita coisa nova acontecendo ao mesmo tempo. Por conta do novo emprego eu mudei de cidade. Meu Rio de Janeiro virou destino de fim de semana. Fui pro interior e ainda estou acertando meu ritmo com o da cidade. Ainda vivo um momento de improviso, com gaveteiros de plástico e uma arara no quarto. Mas a receptividade dos colegas de trabalho e de algumas outras pessoas por lá já me provaram que novos amigos de infância chegaram à minha vida e não vai demorar muito para eu me sentir em casa. E assim também acontece com minha vidinha virtual. O TeS não é mais meu único endereço. Além do @tudoemsimas, você me acha também palpitando no novíssimo Mulherada e no pé quente Magia Rubro-Negra. Apareçam, na Tijuca ou em Resende, no Twitter ou nos blogs, e fiquem à vontade. Mis casas, sus casas.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Cosas de la vita
Era quase um blind date. Em tempos de internet, isso significa que já se falavam via internet e até já se viram através de uma tímida webcam. Chegaram exatamente juntos ao primeiro encontro e, de tão improvável, isso parecia ser um bom presságio.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Igualdade desigual
Super atrasada, mas ainda no clima do Dia Internacional da Mulher, cá estou eu tentando concatenar as ideias e compartilhar algumas opiniões. Alguns amigos e amigas me consideram até um pouco machista. Mas o fato é que depois de já ter vivido algumas boas experiências nessa vida, desencanei de alguns (pré)conceitos e passei a tentar encarar algumas facetas da nossa grande jornada com mais simplicidade.
O que eu quero mesmo é falar de igualdade. Esse assunto está martelando a minha cabecinha oca já há algum tempo e por causa de assuntos diversos. Aproveitando a deixa do 8 de março, vou tentar expor algumas das minhas angústias.
Eu acredito que não se deve tratar desiguais como iguais. Homens e mulheres são diferentes – muito diferentes – e isso é fato. E o que eu quero expor aqui vai parecer pura incoerência pois eu vou justamente reclamar da desigualdade. O grande desafio vai ser organizar o pensamento para que essa incoerência faça algum sentido (se é que isso é possível).
Tenho tido muita sorte na vida e trabalhado em grandes empresas. Realmente eu não tenho do que reclamar. Mas analisando friamente, muitos detalhes fazem grande diferença no dia a dia das relações entre homens e mulheres. Vamos aos exemplos práticos:
1. Plano de Saúde
Poucas são as empresas que permitem que as mulheres possam colocar seus maridos/companheiros como dependentes no plano de saúde. Isso afeta diretamente a renda da funcionária. Dois funcionários, um homem e uma mulher, que foram contratados no mesmo dia na mesma função terão renda diferenciada porque na casa da funcionária, o seu marido/companheiro não usufrui do plano corporativo da sua esposa. Nada justifica essa desigualdade de tratamento.
2. Auxílio Creche
Por contra partida, em muitas empresas apenas a funcionária tem direito a um benefício chamado auxílio-creche. A princípio muita gente dá vivas à isso, como se fosse uma compensação. Errado novamente. Qualquer funcionário deveria ter direito a tal benefício. Concedê-lo somente às mulheres faz com que a contratação de uma mulher seja considerada uma escolha mais cara para a empresa. Mesmo que a empresa não estimule esse tipo de pensamento, gerentes tapados pensam assim. Acreditem em mim.
4. Gravidez e Maternidade
Se reproduzir é necessário para a sobrevivência da humanidade por que as empresas insistem em perguntar ainda na entrevista se a mulher já é mãe ou pretende ser e quando? Para mim pessoalmente nem é um problema de fato (já desencanei da maternidade imediata, mas isso é assunto para uma postagem exclusiva), mas eu acho o fim da picada querer saber se a mulher quer engravidar ou não. É um sinal incontestável de que o pensamento que ali impera é praticamente medieval. Mulheres engravidam, ponto. Faz parte da natureza. Tentar sempre “contabilizar” isso é a estupidez mor dos gerentes e das empresas.
5. Chefia
Mulheres ainda são minoria em cargos de chefia. Não são duronas. Precisam se preocupar com filhos e isso as torna menos “disponíveis” do que os homens. E vários outros argumentos preconceituosos. Faça-me o favor! Jogue a moça na fogueira e deixe-a se virar! Já trabalhei com mulheres muito mais exigentes do que homens. Cobre pelo resultado e esqueça o resto. Mas não assuma antes que, por ser mulher, uma pessoa não “serve” para a função. Uma outra faceta deste mesmo problema é que, para acabar com a defasagem gerencial, muitas empresas instituíram “cotas” de diversidade. Um número X de gerentes deve ser de mulheres. Triste escolha. Isso significa que uma mulher poderá escolhida para um cargo de liderança a despeito da sua real capacidade. Se ela faz m, vai a empresa inteira soltar piadinhas do tipo “bem feito, devia estar pilotando um fogão”. E isso só piora as coisas... Acaba com o crédito da mulherada.
Não sei se consegui demonstrar exatamente qual é o meu descontentamento. Como eu disse lá no começo, eu sei que homens e mulheres são diferentes, mas para mim isso não justifica esses exemplos da mais ultrapassada desigualdade. Em pleno século XXI homens e mulheres mudaram os seus comportamentos. Homens se flexibilizaram e mulheres se endureceram. Por que ainda resistir a isso? Por que achar que conceitos que eram válidos na década de 70 ainda podem ser aplicados em tempos de pura competitividade? Querem pasteurizar o mundo, tornando-o o habitat de andrógenos dos dois gêneros? Respeitemos as diferenças e deixemos o povo trabalhar! Teno certeza de que disposição não vai faltar.
[Post publicado também no Mulherada]
terça-feira, 2 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
[Café 22] Lições da Telona
- Para saber o que é o Café 22", clique aqui e/ou aqui.
- Preciso colocar algumas coisinhas aqui que no nervosim acabaram ficaram mal desenvolvidas e mesmo de fora da apresentação.
Mas não vou conseguir fazer isso agora.[05/03/10] Então lá vai!
MOSTRE O SEU VALOR
Não é simplesmente "lute pelo quer ou o que deseja". É encare as dificuldades tendo em conta não as suas limitações mas os seus talentos. Use o que você tem de melhor. Busque as soluções dentro de você levando em conta o próprio ambiente e as pessoas a sua volta. Os sinais estão por aí.
Ao Mestre com Carinho (1967)
O engenheiro que virou professor só venceu a resistência dos alunos à sua autoridade quando adotou métodos heterodoxos durante as aulas e, principalmente, quando passou a tratar os alunos como adultos. Deixou de ser um professor e passou a ser um amigo mais velho que sabia como aumentar a auto-estima do grupo e estimular o respeito entre eles.
Uma Secretária de Futuro (1988)
A secretária que descobre que suas sugestões estão sendo "roubadas" por sua chefe vai à luta para emplacar suas idéias. Nas mazelas do mundo corporativo, algumas de suas decisões são até questionáveis. Mas ela assume a responsabilidade e apruma o foco e, com inteligência consegue atingir seu objetivo.
Ou Tudo ou Nada (1997)
Arrisque-se. Sempre temos algo a oferecer. Não subestime sua família e amigos. Principalmente, não faça deles uma desculpa para não ousar. Eles sempre vão te apoiar. No caso dos nossos heróis o estímulo para toda a ousadia em questão foi o desemprego. Na nossa vida às vezes nem precisamos chegar a tanto. Basta reconhecermos que querermos mais: queremos ser realmente felizes. Qual o seu talento oculto?
ENXERGUE, (RE)APRENDA
Não olhe a vida pela a janela. Preste atenção às coisas, pessoas e oportunidades à sua volta. Nem que para isso preciso de óculos, lupas, binóculos ou óculos 3D mas enxergue-as!
À Primeira Vista (1999)
Esse filme nos mostra que às vezes precisamos desaprender o que (achamos que) conhecemos e aprender tudo novamente. Tanto o rapaz que era cego e agora enxerga quanto aqueles que estão à sua volta. Detalhes que nunca passariam pela nossa cabeça devem ser levados em conta. E precisamos de humildade para reconhecer que, muitas vezes, precisamos mesmo recomeçar o aprendizado do zero. De peito aberto.
O que este filme tem para ensinar é muito simples: nem tudo é como vemos à primeira vista. Pense lateralmente que a solução aparece. Considere o poder da coletividade. E não esqueça de considerar a diversidade desta mesma coletividade. Vamos encontrar vários tipos na vida: os que lutam com você e os que, involuntariamente ou não, lutam contra você. Perceba a diferença entre eles e aprenda com isso.
DECIDA-SE
Faça suas escolhas. E responsabilize-se por elas.
A Qualquer Preço (1998)
DECIDA-SE
Faça suas escolhas. E responsabilize-se por elas.
A Qualquer Preço (1998)
Do próprio John Schlichtmann: "Era um buraco negro. Todos os que tiveram contato com o caso foram testados no sentido de mostrar quem eram, no que acreditavam e as escolhas que queriam fazer como seres humanos. O caso Woburn forçou-nos a revelar o quanto nos importávamos com a verdade ou o quanto estávamos querendo perpetuar as mentiras. Essa foi a grande magia."
O Senhor dos Anéis - A sociedade do anel (2001)
Frodo: I wish the ring had never come to me. I wish none of this had happened.
Gandalf: So do all who live to see such times. But that is not for them to decide. All we have to decide is what to do with the time that is given to us.
Dumbledore: No spell can reawaken the dead, Harry. I trust you know that. Dark and difficult times lie ahead. Soon we must all face the choice between what is right and what is easy.O Senhor dos Anéis - A sociedade do anel (2001)
Frodo: I wish the ring had never come to me. I wish none of this had happened.
Gandalf: So do all who live to see such times. But that is not for them to decide. All we have to decide is what to do with the time that is given to us.
PERSISTA
Não desista. Simples assim.
À Procura da Felicidade (2006)
Ele decidiu entre o que seria fácil e o que era certo. Se você não o assistiu, pare tudo e alugue agora. O filme dispensa explicações ou apresentações.
Procurando Nemo (2003)
Reafirmo: Procurando Nemo é muito maior do que uma animação para crianças. Veja o filme e reflita sobre todas as suas nuances: superação de perdas, que precisamos correr riscos, conflito de gerações, ritos de passagem e amadurecimento, entender outras culturas, o preço da liberdade, amizade, confiança e persistência. Tente identificar tudo isso no filme e me mostre o que mais podemos tirar dele. Vou adorar saber que deixei ainda escapar alguma coisa.
VIVA
Só isso: nunca deixe de querer viver. ;)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
Eu já Sabia!
São 20:10 do dia 6, o dia do Hexa. Estou a caminho do sul fluminense, meu novo endereço. Amanhã começo definitivamente em meu novo emprego e tenho mil coisas para resolver. Mas como pensar nessas coisas, mudança, estrada, trabalho, fábrica e coisas assim depois da tarde que vivi? Passei um dos maiores perrengues da minha vida para entrar no Maracanã. Arquibancada vibrante, colorida e barulhenta. Que torcida linda, guerreira e apaixonada! É a maior do mundo mas é também a mais bonita.
Consegui um lugar nas arquibancadas verdes perto de 15:30 e o povo já estava de pé, cantando. E só cantaram exaltação ao Flamengo. Ninguém sequer ensaiou entoar as tradicionais músicas para provocar os rivais cariocas ou paulistas. Era dia de Mengão e só ele importava. Eu sabia que isso era um presságio de que algo muito bom estava a caminho. Quando nossos gladiadores entraram em campo eu me arrepiei inteira. O coro de “Mengão do meu coração” era uníssono, a Nação fazia a sua parte e entrava em campo junto com o time. E logo veio a certeza de que não seria nada fácil quitar essa fatura. Nada de entrega.Estávamos para enfrentar o Grêmio sem corpo mole. E o elenco do Flamengo… Muitos erros bobos, erros de passe, marcação deficiente.
Mas a você, leitor do Magia que ainda não conhece, vou me apresentar: tenho um quê de Poliana e tendo a ver sempre o lado positivo das situações. Essa profusão de erros só se explica com ansiedade e nervosismo. E isso me dá a certeza de esses moços são rubro-negros de coração. Nenhum jogador puramente profissional ficaria nervoso desse jeito. Faria sua parte do trabalho e dane-se o Maracanã lotado e o resto do mundo. Eles não. Queriam lutar e simplesmente não evoluíam. Não adiantava mandar bolas aéreas porque na área tricolor porque a zaga gremista ganhava todas as cabeçadas. Não conseguiam chutar uma bola de fora da área sem que ela explodisse em um dos homens de azul preto que se multiplicavam do nada a nossa volta. Não conseguiam evoluir com uma jogada porque os passes se perdiam no caminho ou sagazes larápios faziam a festa nas costas dos nossos jogadores desatentos e desconcentrados (arrisco dizer até que o Juan era o alvo preferido dos ladrões de bola, só ele não percebia isso).
Quando sofrimento… Aos 21 minutos, tudo começou a mudar: gol do Grêmio em uma bobeada homérica da zaga rubro-negra e, praticamente ao mesmo tempo, gol do Inter no Beira-Rio. Nesses breves instantes de silêncio no Maracanã, fez-se a luz em minha cabecinha desconexa: acabara-se ali o favoritismo. Naquele instante o Inter era o campeão brasileiro. Era oficialmente o fim da nossa alardeada vantagem. E a Nação bem sabe que na adversidade o Flamengo cresce. E a nova certeza que se assomou do meu coração: o Flamengo seria sim Hexacampeão Brasileiro. David empatou e Angelim virou. Grande Angelim! Um dos meus preferidos. O escolhido dos céus para estar ali e receber com categoria o escanteio cobrado pelo Pet. Eu chorava. Tremia e chorava. Novamente o caneco estava ali, ao alcance das nossas mãos suadas. Bastava sobreviver aos próximos intermináveis vinte minutos até o fim do embate.
Somos campeões, Nação! Fizemos uma campanha consistente, ganhamos confrontos diretos, aprendemos com nossos erros e lutamos até o fim! Nada de jogo fácil, foi suado até o fim. E ninguém vai ousar tirar esse mérito da gente! Agora lhes resta apegar-se à velha celeuma da Copa União de 87 para diminuir nossa história. Que percam o sono inventando verdades convenientes. Pura balela. Vão engolir vários argumentos toscos. Não vivemos do passado. Se gostavam de alardear que vivíamos das glórias do nosso passado, agora vão engolir um tempo presente de muita garra: indiscutível hegemonia carioca, uma Copa do Brasil e um Brasileirão. E alguém tem dúvida de que o futuro será ainda mais brilhante?
Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer. Se depender do Flamengo, morro feliz!
Texto publicado no Magia Rubro-Negra, aqui
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