segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Agora foi

Pergunta: você sabe quando percebe que está realmente envelhecendo? Fácil: quando sua irmã caçula faz 30 anos. Hoje, eu me sinto definitiva e realmente envelhecendo. Minha querida irmãzinha entra hoje para o doce hall das balzacas. Agora somos duas mulheres feitas. Durante minha infância e adolescência, tinha a nítida impressão de que falar de alguém que tinha 30 anos era falar de um adulto nesse sentido: homens e mulheres feitos. Agora vejo a Vivi cuidando com experiência de seu terceiro filho. Minha irmãzinha caçula, vocês sabem o que é isso? A firmeza para segurá-lo, dar banho, identificar seu choro, e sabe-se lá mais o quê. Ao mesmo tempo me lembro de quando andávamos de bicicleta seguindo um "mini-circuito" em forma de 8 ao redor das duas árvores que tínhamos quintal da casa onde nascemos na Vila Rosali. Da piscina nos fundos. Da beliche do nosso quarto. Da sua foto de maria-chiquinha na casinha de bonecas do Santa Maria. Do seu rostinho enfezado quando estava fantasiada de Emília para uma festa da escola. Das bolsas repletas de panelinhas e joguinhos de "chicrinhas e pirezinhos" que espalhávamos no chão da sala. Dos concursos de Miss com nossa bonecas (e das discussões para saber quem ia ficar com a Miss Venezuela, porque essa sempre ganhava). Dos natais na casa da Tia Dirce. Dos carnavais que saíamos com fantasias iguais da casa da Tia Dinéa. De como ela ficava linda de princesa da quadrilha. Da sua fase metaleira. De como ela brilhava dançando nos Camponeses. Das brigas (nossa, quantas brigas), mas incrivelmente de poucas eu me lembro o motivo.

E aqui estamos nós. De duas crianças, uma moreninha de olho verde e uma branquinha de olho azul, a duas mulheres, uma ruiva e uma loira. Com suas próprias experiências. Suas próprias estórias. Distanciadas pelo cotidiano e mais unidas que nunca. Tentando passar aos pequenos um pouquinho da alegria de nossa própria infância. Feliz aniversário, Vi! Seja feliz sempre e conte comigo todos os dias!

6 comentários:

Sérgio disse...

Doces lembranças da infancia misturadas a sensações e momentos presentes e desse jeito pensar/planejar o futuro.Muito bonito o que escreveu Clau.
Que a Vivi ( a quem um dia quero conhecer ) e todos o seus sejam felizes não apenas no dia de hoje, mas todos os dias, sempre vivendo um dia de cada vez.
Um beijo Vivi e mais uma vez Parabéns !

Re disse...

Vou chorar...

Claudia disse...

Errr... Comigo ou com ele?
;)

luma disse...

Muito prazer!

terragel disse...

CLAUDIA, muito bonita a tua história. Eu me sinto assim também quando um de meus irmãos fazem aniversário, porque de uma prole de 6 eu sou o mais velho, quando olho atraves do tempo e vejo o meu irmão já com 35 anos, aí me dou conta de quanto eu já vivi. Desejo que sua irmã seja muito feliz em saúde e realizações. De qualquer maneira vou deixar meus rastro para que faças uma visita, quando puderes.
Um bom final de semana.

Dalva Maria disse...

O que dizer de vc.e de sua irmã, não há palavras, vcs. são o meu orgulho e cada vez mais eu me orgulho de vc., sempre disse que só tive duas filhas para que uma amparasse a outra, vc. me deu muito orgulho em seguir a trilha que lhes ensinamos eu e seu pai, sua irmã me deu 3 netos lindos que acho agora que ñ poderia viver sem eles, e depois deste depoimento terei a certeza que nunca os deixaram passar pelos caminhos tortuosos da vida, até que ela se forme e possa se defender e defender sua prole.