sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011

A cada ano que passa, sinto que de 31 de dezembro de um ano para o 1 de janeiro de outro não passa de... uma noite. Vira-se calendário mas continua sendo só um dia após o outro. Não consigo mais me encher de esperanças de que com a mudança de um dígito no calendário minha vida vai mudar. Quero acreditar em novas oportunidades, novos ciclos, mas estou sem energia para tanto. 
Entretanto, sei que sou uma pessoa de extrema sorte por ter à minha volta pessoas que não são como eu e, para elas, um novo tempo de renovação e esperança está por começar. E é a cada um de vocês, que abrilhantam meu cotidiano com suas presenças inspiradoras e iluminadas que eu dedico toda a energia que eu consigo capturar do fundo do meu ser para desejar que 2011 seja fantástico, maravilhoso, sem igual, muito melhor do que 2010 e apenas bonzinho se comparado com o que serão 2012, 2013, etc.
Vocês, aqui, no twitter, no Rio ou em Resende, fizeram com que 2010 não fosse completamente inútil e esquecível. Espero retribuir em 2011 ajudando a realizar seus sonhos, compartilhando alegrias ou apenas estando presente quando de mim precisarem. Muito obrigada por existirem!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Me mudei. De novo. Ou Cortinas de Lumiére.

E ainda não tenho cortinas. Janelas grandes, e a iluminação exterior que enche de amarelo o quarto recém habitado. Soubesse eu fazer poesia, faria. Não sabendo, pedi. E A.B. atendeu. Compreendendo, como sempre, mais do que eu mesma.

Cortinas de Lumiére


Se saudade fosse
sólida como parede
a luz do mundo, lá fora
usaria tal tela
pra contar uma estória

De uma nova chance
Da liberdade
De um canto só seu
De uma música que só você dança

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Não sou mais tão religiosa como a criança carola que fui um dia. Natal para mim é pouquíssimo mais que uma reunião de família. Importante para abraçar apertado meu pai e minha mãe e lembrá-los do quanto sou grata por tudo o que me deram. Importante para ligar aos amigos e dizer-lhes o quando são amados. E importante para me lembrar de que eu não deveria precisar do Natal para isso.
Então, antes de listar esse lembrete como uma nova resolução de Ano Novo, deixo aqui meus sinceros votos que o Natal de vocês seja belo, singelo, tranquilo e na companhia de quem mais lhes seja caro. Que este espírito de alegria invada seus lares e nele permaneça por todo o Ano Novo. O importante é ser feliz! Sempre e para sempre!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ostrice

Ela já viu esses sintomas. Nenhuma, ou quase nenhuma, vontade de atender o telefone. Ostrice profunda. Muda os móveis de lugar como se isso mudasse a sua vida sem graça. Não quer sol, não quer rua. Preguiça de tudo. De mundo. Daquela absurda, que não deixa nem trocar o canal da TV.
Não é que ela se arrependa, mas ela sabe que poderia ter feito diferente. Daqui a pouco vai ouvir um comentário inadequado e foge. Ela sempre foge. Muda de mundo mais uma vez. Muita gente boa ficou pra trás porque ela precisou se esconder, se fechar e só perdeu. Perdeu um pouco de si nos outros que sumiram no tempo.
Uma hora ela cresce. Será?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Absolut Light Painting - O que é excepcional para você?

Vou fazer uma jabazinho de leve aqui, mas porque a ação merece! Olhem só o que a Absolut está aprontando:
Na próxima semana, entre os dias 16 e 20 de novembro, das 21 às 22 h, ela realizará uma ação inédita de Light Painting, ao vivo e especialmente para o Facebook. Para isso, elegeu dois artistas visionários que foram desafiados a criar algo excepcional utilizando uma garrafa vazia de Absolut GLIMMER, preenchida com lâmpadas Led.
Com posse da garrafa iluminada, o calígrafo Haruo Kaneko será o responsável por dar vida às palavras escolhidas, que escritas em um ambiente escuro e captadas pelas lentes do fotógrafo Gustavo Ferri, se transformarão em uma verdadeira obra de arte, irradiando cores e energia pra quem vê por meio dos cristais presentes na embalagem de GLIMMER.
Para participar, basta enviar, no horário definido, via Facebook ou Twitter da marca, uma palavra que personifique a pergunta: “O que você quer tornar excepcional agora?” ou então que represente o que é excepcional para você naquele momento. Os artistas selecionarão 20 palavras por sessão (serão 5 no total) e, a partir delas, criarão imagens com a técnica do Light Painting, que serão exibidas ao vivo no Facebook. Serão apenas 100 pessoas escolhidas.
Para os que ficaram curiosos e quiserem saber como o Light Painting é preparado, podem acompanhar o vídeo com o making of do processo, já postado no site e nas redes sociais de ABSOLUT ou aqui.
Não percam!!!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Poesia Miojo II

Pede um afago como quem pede desculpas
meio de lado, como menina travessa
quando o mundo sufoca.

Menina, coração como o teu
não pede, reina absoluto
neste imenso deserto
do eu - eu - eu

E tal qual como paradigma
sofre de solidão imensa
por procurar o que não acha
e achar-te sozinha

Ora, amiga minha
olha à tua volta
- tudo que é único é adorável

Outra que ganhei do amigo A.B. quando pedi afagos.
A primeira tá aqui.
Obrigada, novamente, querido!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Gosto de

café
andar descalça
brinco de pérola
Vinícius
mini-saia
dançar
cheiro de chuva
chocolate quente no interioRRR
conectividade
samba
mordidas
cervejas
Lagoa
colo da Dalvinha
Flamengo
contos
verão
A História Sem Fim
rock
viagens
sashimis
abraço
cantar
verde
Paris
sopa de ervilha
origamis
beijo no pescoço
dedilhado de violão
cumplicidade
botequim
rir
futebol
Peanuts
qualquer coisa à Bolognesa
massagem
bicicleta
filme em preto e branco
bloguear
pipoca
sexo
mousse de maracujá
olhares
dirigir
football
delicadeza
amigos
bolinhos de chuva
cafuné
ouvir
Lego
Coca-Cola
inteligência
dormir
pimenta
confiança
amar
gostar.

Inspirada pela Maffalda que se inspirou no Jampa
Ano passado fiz uma listinha menor. Outra proposta.
A imagem daqui.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Idiossincrasias - Ai meu Flamengo...

E o Flamengo perde Zico. Mais uma vez. Eu queria ter a clareza e a objetividade necessárias para escrever sobre isso. Mas só tenho decepção. Rubro-negros ou não, todos falam no possível rebaixamento do Flamengo no Brasileirão (meu coração não me engana: é possível, mas não é provável). Mas hoje, sofremos um rebaixamento moral. Deixamos um dos maiores ídolos da nossa história à mercê de politiqueiros de quinta.
Zico provou que estava certo ao não querer se reaproximar do futebol brasileiro. Confiou que com Patrícia Amorim isso seria diferente, mas jogou a toalha em 4 meses. Culpá-lo? Nunca! No Japão ele teve total liberdade e privacidade para trabalhar e praticamente inventou o futebol japonês. Aqui, sua terra natal, não conseguiu respirar sem ser achincalhado com cobranças imediatistas e denúncias que são sempre acompanhadas de muito barulho por terem pouca veracidade.
Como pudemos permitir que algo assim acontecesse? E como ainda podemos deixar essas pessoas, cujos interesses pessoais são maiores do que o nosso amor pelo Clube, mandem e desmandem no Flamengo? O que podemos fazer para mudar isso? Não consigo pensar em nada.
O Flamengo sobreviverá à mais uma despedida do Galinho? Claro! Viveu anos sem ele e viverá outros tantos. Mas vai ser muito difícil esconder a cicatriz que vai sobrar dessa crueldade com nosso ídolo maior. Estou triste, frustrada e envergonhada. E a vida segue. Me resta confiar que vamos ao menos ser capazes de tirar alguma lição disso tudo.

♪ Flamengo SEMPRE eu hei de ser! ♫  

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Certo ou errado

Dia desses tava tudo errado. Deliciosamente errado. Quando vi, tinha ganhado novo pensar vagante. Daqueles que já tive e perdi várias vezes. Mas, principalmente, daqueles que eu adorava não fazer questão porque tava ocupada desocupando a mente, apinhando os dias e frequentando as camas. E foi fácil me deixar errar assim. A cada sábado e domingo. Foi indo, foi indo, foi vindo. A estrada nem cansava, porque tinha o cansar arfante que eu queria durante a breve estadia. Tinha muita risada e ranzinzice. E tinha a porcaria do bolinho de chuva que nunca comi. E aí eu errei. Acho que porque eu nem sei errar direito. Perguntei se tava errada. Não, beibe. Mas a resposta mesmo, certa ou errada, não sei até agora. O certo é que o acerto vai se acertando, se ajeitando. E certos e errados voltam a se ajeitar nas minhas coxas erradamente grossas porque esse é o meu certo. Mas, no fundo, pra mim - ainda - tá tudo errado.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Enxaqueca

A cabeça dói. Não tem remédio que dê jeito. Vontade de quebrá-la contra a parede. Se lembra da infância, quando alguém brincou que o melhor remédio para dores de cabeça era um bom pisão no pé. Ela – que ri de tudo – não consegue sequer rir da lembrança da tolice. Ele a havia tirado da zona de conforto. Na verdade lhe fez esquecer todas as suas defesas. E a quebrou no meio como um graveto velho. Noite após noite ela se recusava a admitir toda essa dor. Foi um caso rápido. Intenso mas rápido. [A câmera foca os olhos. O olhar da atriz deve expressar súbito esclarecimento] O pisão no pé. Pega o celular. Disca números que achava que nunca mais discaria. Números que a fariam mal. Mas que a fariam sentir alguma coisa. Números que não apenas pisariam no seu pé. Iriam arrancá-lo. E, assim, fariam sua enxaqueca magicamente desaparecer. [A câmera agora mostra um sorriso tímido de satisfação] Com pisão no pé ela sabe lidar.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Portas e Janelas

Dizem que Deus fecha portas. Nesse caso ele deixou com que batessem com ela na minha cara. Estou zonza, no escuro e com frio. Procurando a tal janela que deveria estar aberta em algum lugar por aqui...
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

MotoFAIL

Nunca neguei que sou aficcionada por conectividade e completamente viciada nos produtos Google. Assim, enquanto não consegui um telefone com Android, eu não sosseguei. Em junho ganhei um Dext da minha operadora. Como sempre optei por adquirir o celular na operadora para evitar problemas de suporte e etc e como eles não tinham o Milestone para oferecer, descartei a compra deste no varejo, pesquisei a aceitação do Dext e levei o aparelho alegre e sorridente para casa.

Consegui configurar e me familiarizar com praticamente todos os recursos do aparelho. Não sei se o mérito disso é do aparelho ou do Android. Estava feliz da vida até que o telefone travou com menos de um mês de uso. Desligava, ligava, tirava bateria, religava e nada de sair da tela inicial. Obviamente que na operadora não identificaram o problema. Entrei em contato com a Motorola via chat e o atendente também não soube dizer do que se tratava. Eu teria que levá-lo a uma Autorizada. Acontece que não tem Autorizada na minha cidade. Eles tem apenas um “posto de coleta” onde eu deveria deixar o aparelho para que, depois de alguns dias, ele finalmente chegasse à autorizada e fosse então analisado. Ou seja, previsão de 15 dias sem telefone.

Fui para a internet e descobri que outros proprietários tiveram o mesmo problema e resolveram com um boot no celular. Ele voltaria zerado - com as configurações de fábrica -  mas, considerando que ele também voltaria assim da autorizada e que o MotoBlur prometia ter backup ao menos dos meus contatos, resolvi encarar o procedimento. Lindo! Problema resolvido e aplicativos reinstalados. Um mês depois ele travou novamente. Refiz o tal boot e zerei novamente o aparelho. Novamente entrei em contato via chat com a Motorola e perguntei sobre a atualização ao menos para a versão 1.6 já defasada, pois achava que assim talvez esses travamentos poderiam ser resolvidos. Nada. Se eu tentar atualizar pelo próprio aparelho, a resposta é que não há atualização a ser feita. Já estava bem insatisfeita com 2 boots em 2 meses de uso e a insuficiente versão 1.5 quando a Motorola resolveu me esbofetear³ dizendo que eu, latino-americana, não era uma cliente que eles queriam preservar: anunciaram que nenhum aparelho Milestone, Dext ou Backflip no Brasil receberia o upgrade para a versão 2.2 do Android (sequer citaram o Quench).

A explicação da empresa foi que não havia interesse dos usuários na atualização. Ou seja eu, que sou sempre alpha user, que não economizo em aparelhos desde que o celular virou artigo de uso pessoal e que aprendi procedimentos que nem o suporte a online da Motorola é capaz de realizar remotamente, não teria interesse no upgrade? Francamente. Após vários protestos em blogs, Orkut, Facebook, Twitter e notícias da mídia tradicional, a Motorola resolveu rever a decisão, mas apenas para o Milestone. Nem o Dext nem o Backflip teriam hardware que suportariam a nova versão e mesmo assim não receberão nem mesmo a 2.1 (em janeiro a Motorola havia dito na CES que esse mesmo upgrade do Dext aconteceria "o mais cedo possível"²). O curioso é que a atualização do Dext para a versão 2.1 nos EUA, Canadá e na Ásia está ao menos sendo avaliada. Não me chame de burra, Sr. Edson Bortolli¹.

Eu já tive um Motorola antes da geração GSM. Não fedia nem cheirava. Foi clonado e devidamente substituído pela operadora do celular. Mas eu via tanta gente reclamando tanto, que eu fiquei bastante cabreira em relação aos aparelhos da Motorola e acabava sempre descartando o fabricante das minhas escolhas. Achei que a chegada do Android e os lancamentos do Dext e do Milestone seriam uma redenção da marca. Ledo engano. Com 3 meses de Dext estou decidida a trocar imediatamente de aparelho. Continuarei com o Android mas nunca mais compro Motorola. Errar uma vez é engano. Duas é burrice.

(¹) Diretor de produtos móveis da Motorola Brasil
(²) Existe um Tutorial no Gizmodo para quem quiser arricar a atualização não-oficial e, no caso da Claro, perdendo o 3G.
(³) A notícia inicial chegou até mim pelo Blog do The Best.
A imagem usada no post vem do twitter @motoFAIL_BR

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sobre o fim, muralhas e aberturas

Caro Richard. 

É muito difícil saber como e por onde começar. Estive pensando por muito tempo e a fundo, através de muitas idéias, tentando encontrar um meio.. Finalmente me ocorreu uma pequena idéia, uma metáfora musical, através da qual pude pensar claramente e encontrar a compreensão, se não mesmo a satisfação. Quero partilhá-la com você. Assim, por favor, peço que me tolere, enquanto passamos por outra lição musical. A forma mais comumente usada para as grandes obras clássicas é a da sonata. É a base de quase todas as sinfonias e concertos. Consiste em três partes principais: a exposição ou abertura, em que pequenas idéias, temas e miscelâneas diversas são lançados e apresentados uns aos outros; o desenvolvimento, em que essas pequenas idéias e motivos são explorados ao máximo, expandidos, muitas vezes passando do tom maior (feliz) para menor (infeliz) e voltando sendo desenvolvidos e entrelaçados em complexidade maior, até que finalmente vem a recapitulação, em que existe uma reapresentação, uma gloriosa expressão da maturidade plena e rica que as pequenas idéias não alcançam através do processo de desenvolvimento. Você pode se perguntar como isso se aplica a nós, se ainda não percebeu. Eu nos vejo embatucados numa abertura interminável. A principio, foi a coisa real, pura delicia. É a parte de um relacionamento em que a pessoa se mostra em seu melhor: divertida, encantadora, excitante, excitada, interessante, interessada. É um tempo em que à pessoa se sente mais tranqüila e mais cativante, porque não experimenta a necessidade de levantar suas defesas; assim, o parceiro aconchega um ser humano afetuoso, ao invés de um cacto gigantesco. É um tempo de prazer para ambos e não é de se admirar que você goste tanto de aberturas que se empenhe em tornar a sua vida uma sucessão delas. 

Mas os primórdios não podem ser prolongados interminavelmente; não podem simplesmente serem expostos e re-expostos. Devem seguir adiante e se desenvolverem, ou morrer de tédio. Não é assim, você diz. Deve se afastar, ter mudanças, outras pessoas, outros lugares, a fim de que possa voltar a um relacionamento como se fosse novo, para ter constantes princípios novos. Nós seguimos adiante numa sucessão prolongada de reaberturas. Algumas foram causadas por separações profissionais que eram necessárias, mas se mostraram desnecessariamente duras e rigorosas para duas pessoas tão chegadas como nós. Algumas foram fabricadas por você, a fim de dispor de mais oportunidades de voltar à novidade que tanto deseja. Obviamente, a parte do desenvolvimento é uma anátema para você. Pois é a parte em que você pode descobrir que tudo que possui é uma coletânea de idéias bastante limitadas que não funcionam, não importa quanta criatividade lhes acrescente. Não resta a menor duvida de que fomos muito mais longe do que você jamais tencionou. E paramos pouco antes do que eu considerava como nossos próximos passos, lógicos e maravilhosos. Tenho testemunhado o desenvolvimento com você continuamente contido, passei a acreditar que nunca faremos mais que tentativas esporádicas em nosso potencial de aprendizado, em nossas espantosas similaridades de interesses, não importa quantos anos possamos ter, porque nunca teremos um tempo ininterruptos juntos. Assim, torna-se impossível o crescimento que tanto prezo e sei que é possível. 

Ambos tivemos uma visão de algo maravilhoso que nos aguardara. Contudo, não podemos chegar lá, a partir do ponto em que nos encontramos. Estou diante de uma sólida muralha de defesas e você tem necessidade de construir mais e mais. Anseio pela plenitude do desenvolvimento adicional e você procurará meios de evitá-lo, enquanto estivemos juntos. Nós dois ficamos frustrados; você é incapaz de voltar, e eu incapaz de seguir adiante, num estado de constante luta, com nuvens e sombras escuras sobre o tempo limitado que você nos concede. Sentir a sua constante resistência a mim, ao crescimento deste algo maravilhoso, como se eu e isso fôssemos alguma coisa horrível. Experimentar as várias formas que a resistência assume, algumas cruéis, muitas vezes me causa sofrimento, em um nível ou outro. Tenho um registro de nosso tempo juntos e fiz uma análise profunda e sincera. Entristeceu-me a até me chocou, mas foi-me útil para enfrentar a verdade. Recordo primeiro ano e os três primeiros meses como nosso único período feliz. Isso foi a abertura, e foi linda. Depois, houveram as separações, com os desligamentos arrebatados e para mim inexplicáveis e a igualmente terrível evitação-resistêncial em sua volta. Longe e apartados ou juntos e apartados é uma situação por demais infeliz. Estou me observando virar uma criatura que chora muito, pois quase parece que a compaixão é necessária antes que a bondade seja possível. E sei que não cheguei até este ponto da minha vida para me tornar digna de compaixão. Encarando os fatos tão honestamente quanto me é possível, sei que não posso continuar, não importa o quanto deseje; não posso me inclinar ainda mais. 

Espero que você não considere isso como o rompimento de um acordo, mas sim como a continuação de muitos e muitos finais que você tem iniciado. Acho que é uma coisa que ambos devemos saber. Eu devo aceitar que fracassei em meu esforço de fazê-lo conhecer as alegrias da afeição. Richard, meu precioso amigo, isto é dito suavemente, até mesmo ternamente, e com amor. E os tons suaves não servem para camuflar uma raiva por trás; são autênticos. Estou simplesmente tentando compreender e estancar a dor. Estou enunciando o que fui forçado a aceitar: que você e eu nunca teremos um desenvolvimento, muito menos a gloriosa expressão climática de um relacionamento desenvolvido ao máximo. Tenho sentido que se alguma coisa em minha vida merece um afastamento de padrões anteriormente estabelecidos, indo além de todas as limitações conhecidas, foi justamente o nosso relacionamento. Suponho que poderia justificar por me sentir humilhada por todos os meus esforços para que desse certo. Em vez disso, porém, sinto-me orgulhosa de mim mesma e contente por saber que conheci a rara e maravilhosa oportunidade que desfrutamos enquanto a tivemos. Dei tudo o que eu podia, no sentido mais puro e elevado, a fim de preservá-la. É o que me conforta agora. Neste momento horrível do final, posso sinceramente dizer que não conheço nenhuma outra coisa que poderia fazer para nos levar ao lindo futuro que poderíamos ter. Apesar do sofrimento, estou feliz por tê-lo conhecido desta maneira tão especial e sempre guardarei na memória o tempo que passamos juntos. Cresci com você e aprendi muito. Sei que também fiz grandes e positivas contribuições a você. Ainda sou sua amiga, como espero que você um dia possa vir a ser meu amigo. Envio esta carta com um coração repleto do mais profundo e terno amor, com toda a consideração que tenho por você, impossível de ignorar, além de um imenso pesar por ficar incumprida uma oportunidade tão cheia de promessa, tão rara e tão bela. 
 
Leslie Parrish 

Achei a íntegra da carta aqui, mas sei que ela foi publicada em um dos livros de Bach. Completo a informação assim que obtiver mais detalhes.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Poesia Miojo

Poderia falar de caminhos
Perdidos ou achados
Passarinhos que deixam o galho

Poderia escrever em veludo
A suavidade dos meses
que emprestam brilho
A esses olhos sonhadores

Mas prefiro, amiga minha
brincar com palavras
e semear sorrisos na boca
que não deveriam
Jamais ter deixado.


Ganhei do A.B.
Obrigada, querido!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Carta para Priscilla

Caríssima Prill,

O primeiro impulso foi te escrever de próprio punho. Buscar endereço, código postal e selo. Escolher papel de carta e envelope. Procurar a caneta que não mancha e resgatar a caligrafia redonda e caprichada. Mas aí eu já cansei, como tenho cansado de tudo. Mais verdade seria dizer que tenho me cansado do nada. Aquele vilão da História Sem Fim que cismou de me atazanar a vida. 
Não, no alto de sua lindeza você não tem lido tudo errado. Eu odeio escrever ais-de-mim, mas por alguns muitos momentos era só o que me saía dos meus pensamentos tolos para o mundo. Entre aquelas vírgulas e pontos que lhe chamaram atenção, desejei desesperadamente despejar a carência então exagerada pelos 163 quilômetros de complicações fabricadas e pelos dez graus a menos de calor. Foi muito mais forte que eu, amiga, e me arrependo disso. Porque não fosse a distância, era eu que estaria num café cobrando sua presença, lembra? Mas hoje me sinto mais egoísta, mal resolvida e menos generosa. E depois dos seus recados, envergonhada.
Sim, minha querida, me envergonho das minhas fraquezas diante de demonstrações simples de carinho. Me toma inteira o constrangimento imediato daquele que vislumbra a própria tolice. Porque sim, é disso que se trata: são muitas e muitas tolices! Todo esse nada vilão do meu cotidiano se dissipa frente à primeira lembrança dos meus amores. E quantos e tantos maravilhosos são esses amores! Me destrói constatar que, por tão pouco, permito que esses amores desapareçam como que por trás daquela densa neblina avaloniana que maldigo toda fria manhã.
E por isso te agradeço, por essa reprimenda - ainda que involuntária - que me chama o juízo e me esfrega na cara amassada toda a fortuna esquecida. E tomo a liberdade de agradecer-lhe assim, para o mundo ver, porque você também é um desses amores. Daqueles intensos e deliciosos e que não se deve dar o luxo de perder de vista só por causa da distância. Acredite, estou bem. E prometo me lembrar mais vezes disso. Também te adoro, minha querida!

Com muitas saudades,
Cláudia

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Uma Janela e sua Serventia

Hoje me parecem novos estes campos
e a camisa xadrez do moço,
só na aparência fortuitos.
O que existe fala por seus códigos.
As matemáticas suplantam as teologias
com enorme lucro para minha fé.
A mulher maldiz falsamente o tempo,
procura o que falar entre pessoas
que considera letradas,
ela não sabe, somos desfrutáveis.
Comamo-nos pois e a desconcertante beleza
em bons bocados de angústia.
Sofrer um pouco descansa deste excesso.

Do novo livro de Adélia Prado, A Duração do Dia. (via @memoriaviva)

sábado, 24 de julho de 2010

Sob o antebraço

O sofá cansa. A rua não atrai. O sol não se decide. Nada para ver na tv. Nem fome. Nem sono. E um livro travado. Algum conforto nos olhos fechados sob o antebraço. Mas o sofá cansa. Cheiro de ontem. Vontade nem de reticências. Só café. Não esse café. Mas café. Mais café. Talvez mais tarde. Quem sabe. Troca o braço que dormiu antes de você. Mente que está tudo bem. Escuta a música reciclada de um tempo onde tudo era menos complicado. Cheiro de fermento. Presume que é normal. Que todo mundo cansa do sofá. Mas que ninguém quer sair dele. E por isso o mundo parou. Nada se perdeu. Todos sob o antebraço. Deixa estar. Uma hora chega o sinal. Nem que seja o despertador do celular. No próximo dia útil.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Music and Me

Quem me conhece sabe que não vivo sem música. Seja em casa, no trabalho, na rua, no ônibus, onde eu estiver, vou estar ouvindo música. Em casa é praticamente um ritual. Vou colocar o CD, pegar o encarte, curtir a letra. Ver que músicos participaram desta versão. Ouvir todas as versões que eu conseguir da mesma música. Viajo pela composição. Tento imaginar o motivo da canção ser assim ou assado. Vou pra internet. Vejo o clip. Procuro trívias. Uma exagerada. 

Música me relaxa. Me emociona. (E, considerando a tensão que me assola por conta das oitavas de final da Copa Santander Libertadores 2010, só com muita música na cabeça mesmo para abstrair do futebol e fazer com que o tempo volte a passar em seu ritmo normal). Mas o que acontece conosco quando ouvimos uma música, uma canção, um acordo perfeitamente harmonioso? A neurociência explica. O vídeo abaixo é parte de um congresso de neurociência onde os bravos pesquisadores conversam sobre os efeitos da música no nosso cérebro. Esse trechinho apenas mostra o quanto o ser humano está preparado para a música. Mesmo sem saber disso. 



World Science Festival 2009: Bobby McFerrin Demonstrates the Power of the Pentatonic Scale from World Science Festival on Vimeo.

Não é fascinante? Quem me apresentou este vídeo foi o @uatafoc e eu não resisti e compartilhei com o pessoal do Café 22 (3a. edição). Tks, Moço!
;o)

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Moço da Poltrona


Por gostar de televisão passei a seguir no twitter o jornalista Ale Rocha (@alerocha ou http://alerocha.com/ ). Eu achava que iria obter dicas de episódios, links para críticas, finais alternativos, etc. Mas me surpreendi ao perceber que a própria história do especialista em TV transforrnou-se numa indesejada novela. Em 2005 ele foi diagnosticado com hipertensão pulmonar e o único tratamento é o transplante dos dois pulmões. Em alguns casos (como o do próprio Ale) o coração acaba enfraquecido e bombeia cada vez menos sangue para o corpo do paciente. Esta é a primeira vez que me vejo acompanhando “de perto” um caso parecido. O jornalista altera períodos de total “normalidade”, conversando, interagindo com seguidores e comentando programas e séries de TV, com momentos de enorme amargura, relatando noites sem dormir por causas das dores, a luta por remédios, a posição da fila do transplante e a angústia pelo futuro incerto. Ale se expõe sem medo. Fala do seu cotidiano, de sua família, do seu filho. É de cortar o coração. 

Falar de doação de órgãos não é simples. Para uma leiga, como eu, pior ainda. A imprensa normalmente só fala no assunto quando existe alguma comoção, um acidente grave ou alguma autoridade/celebridade envolvida. Pelo que entendo, se alguém quer ser doador de órgãos, não precisa de nenhuma burocracia. Basta que ele comunique a decisão à sua família e, em caso da ocorrência de morte encefálica (condição sine qua non: o cérebro morre e o coração continua batendo), iniciam-se imediatamente os procedimentos de coleta dos órgãos do doador. Diversos são os sites web afora que debatem a validade da política de doação/captação de órgãos adotada no Brasil. O percentual de recusa familiar também varia muito entre as fontes. Difícil saber sem uma pesquisa apurada. A pergunta base é, considerando nosso sistema de saúde, como confiar que todos os esforços foram realmente envidados para salvar aquele que amamos? Difícil também opinar sem vivenciar uma situação delicada como essa.

Na outra ponta, estão os quase 60.000 pacientes crônicos que esperam pelo transplante de algum órgão vital. Para eles o tempo flui em um ritmo diferente, totalmente único e particular. A fila, por via de regra, segue o critério cronológico de inscrição, independente da gravidade do estado de saúde de cada paciente. Quem me passou essa informação foi o próprio Ale pelo twitter. Hoje ele ocupa a 22ª posição na fila para o transplante pulmonar (onde só conseguiu ser inscrito em dezembro de 2009). 

Nem sei direito porque fiquei tão inquieta para escrever sobre isso. Talvez pelos desabafos do Ale. Talvez pela ilusão de que graças à internet temos o poder de mudar qualquer coisa, seja a consciência das pessoas ou a legislação pertinente, seja o nosso sistema de saúde. Talvez pelo meu próprio medo da morte. E acredito que muita gente evite falar nisso porque também tem medo da morte. Esse não é um assunto que eu tenha presenciado em nenhuma mesa de bar, por mais que tenha amigos maravilhosos e inteligentes. Você mesmo, quantas vezes você já refletiu sobre o assunto? Já conversou sobre isso com amigos? Com familiares? Já que respirei e parei para falar sobre isso, vou até o fim: eu sou doadora. E gostaria de ver um cenário que desse segurança para que mais pessoas pudessem também declarar-se doadoras e talvez atenuássemos o sofrimento de quem está na ponta frágil da fila do transplante.

Ao jovem jornalista, continuarei a acompanhar sua novela da vida real. O que mais me fascina em sua história? É que, por mais que desabafe, ele sempre termina demonstrando uma incomparável força. Ele vive um dia de cada vez. Sacode as poeiras de cada cada batalha pessoal e segue em frente. É admirável. Sigo aqui, torcendo pelo seu final feliz.

Em tempo:
  • A primeira de uma série de reportagens que o Fantástico fez com o Dr. Drauzio Varella sobre a fila do transplante.
  • O site da ADOTE - Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos - muitos simples e objetivo.
  • O link para a Central de Transplantes através da Secretária de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.
  • (Update 29/04) A comovente história da jovem canadense Eva Markvoort, aqui e aqui.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Impotência

Não estou vivenciando ou presenciando in loco o caos na cidade do Rio de Janeiro. Comentei no último post que estou a 200 quilômetros de distância. Mas isso não diminui o aperto no meu coração. Eu juro que o lugar onde eu mais queria estar agora era lá. No meio do turbilhão, mas perto da minha família e amigos. É um dos sentimentos mais angustiantes que me lembro ter sentido na vida. Total impotência. E um tanto de revolta. Tenho ciência de que o volume de água foi absurdamente maior do que o natural. Mas me revolta ter que encarar o fato que temos que viver cada tragédia como se fosse a primeira vez. Me revolta ver que mudam os governantes e nenhum deles nunca nos dará a mínima infra-estrutura para que a gente tenha alguma chance nessa frequente luta contra o imprevisto. Me revolta ver que o povo continua jogando lixo na rua e destruindo encostas mesmo sabendo que isso nos condena todos ao caos notório das últimas 30 horas. Me revolta - e muito me entristece -estar longe de quem amo e me sentir impotente. 

domingo, 28 de março de 2010

Aqui, ali e acolá

O Blog tá meio paradão mas eu não! Muita coisa nova acontecendo ao mesmo tempo. Por conta do novo emprego eu mudei de cidade. Meu Rio de Janeiro virou destino de fim de semana. Fui pro interior e ainda estou acertando meu ritmo com o da cidade. Ainda vivo um momento de improviso, com gaveteiros de plástico e uma arara no quarto. Mas a receptividade dos colegas de trabalho e de algumas outras pessoas por lá já me provaram que novos amigos de infância chegaram à minha vida e não vai demorar muito para eu me sentir em casa. E assim também acontece com minha vidinha virtual. O TeS não é mais meu único endereço. Além do @tudoemsimas, você me acha também palpitando no novíssimo Mulherada e no pé quente Magia Rubro-Negra. Apareçam, na Tijuca ou em Resende, no Twitter ou nos blogs, e fiquem à vontade. Mis casas, sus casas.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Cosas de la vita


Era quase um blind date. Em tempos de internet, isso significa que já se falavam via internet e até já se viram através de uma tímida webcam. Chegaram exatamente juntos ao primeiro encontro e, de tão improvável, isso parecia ser um bom presságio.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Igualdade desigual

Super atrasada, mas ainda no clima do Dia Internacional da Mulher, cá estou eu tentando concatenar as ideias e compartilhar algumas opiniões. Alguns amigos e amigas me consideram até um pouco machista. Mas o fato é que depois de já ter vivido algumas boas experiências nessa vida, desencanei de alguns (pré)conceitos e passei a tentar encarar algumas facetas da nossa grande jornada com mais simplicidade.

O que eu quero mesmo é falar de igualdade. Esse assunto está martelando a minha cabecinha oca já há algum tempo e por causa de assuntos diversos. Aproveitando a deixa do 8 de março, vou tentar expor algumas das minhas angústias. 

Eu acredito que não se deve tratar desiguais como iguais. Homens e mulheres são diferentes – muito diferentes – e isso é fato. E o que eu quero expor aqui vai parecer pura incoerência pois eu vou justamente reclamar da desigualdade. O grande desafio vai ser organizar o pensamento para que essa incoerência faça algum sentido (se é que isso é possível).

Tenho tido muita sorte na vida e trabalhado em grandes empresas. Realmente eu não tenho do que reclamar. Mas analisando friamente, muitos detalhes fazem grande diferença no dia a dia das relações entre homens e mulheres. Vamos aos exemplos práticos:

1. Plano de Saúde
Poucas são as empresas que permitem que as mulheres possam colocar seus maridos/companheiros como dependentes no plano de saúde. Isso afeta diretamente a renda da funcionária. Dois funcionários, um homem e uma mulher, que foram contratados no mesmo dia na mesma função terão renda diferenciada porque na casa da funcionária, o seu marido/companheiro não usufrui do plano corporativo da sua esposa. Nada justifica essa desigualdade de tratamento.

2. Auxílio Creche
Por contra partida, em muitas empresas apenas a funcionária tem direito a um benefício chamado auxílio-creche. A princípio muita gente dá vivas à isso, como se fosse uma compensação. Errado novamente. Qualquer funcionário deveria ter direito a tal benefício. Concedê-lo somente às mulheres faz com que a contratação de uma mulher seja considerada uma escolha mais cara para a empresa. Mesmo que a empresa não estimule esse tipo de pensamento, gerentes tapados pensam assim. Acreditem em mim.

4. Gravidez e Maternidade
Se reproduzir é necessário para a sobrevivência da humanidade por que as empresas insistem em perguntar ainda na entrevista se a mulher já é mãe ou pretende ser e quando? Para mim pessoalmente nem é um problema de fato (já desencanei da maternidade imediata, mas isso é assunto para uma postagem exclusiva), mas eu acho o fim da picada querer saber se a mulher quer engravidar ou não. É um sinal incontestável de que o pensamento que ali impera é praticamente medieval. Mulheres engravidam, ponto. Faz parte da natureza. Tentar sempre “contabilizar” isso é a estupidez mor dos gerentes e das empresas.

5. Chefia
Mulheres ainda são minoria em cargos de chefia. Não são duronas. Precisam se preocupar com filhos e isso as torna menos “disponíveis” do que os homens. E vários outros argumentos preconceituosos. Faça-me o favor! Jogue a moça na fogueira e deixe-a se virar! Já trabalhei com mulheres muito mais exigentes do que homens. Cobre pelo resultado e esqueça o resto. Mas não assuma antes que, por ser mulher, uma pessoa não “serve” para a função. Uma outra faceta deste mesmo problema é que, para acabar com a defasagem gerencial, muitas empresas instituíram “cotas” de diversidade. Um número X de gerentes deve ser de mulheres. Triste escolha. Isso significa que uma mulher poderá escolhida para um cargo de liderança a despeito da sua real capacidade. Se ela faz m, vai a empresa inteira soltar piadinhas do tipo “bem feito, devia estar pilotando um fogão”. E isso só piora as coisas... Acaba com o crédito da mulherada. 


Não sei se consegui demonstrar exatamente qual é o meu descontentamento. Como eu disse lá no começo, eu sei que homens e mulheres são diferentes, mas para mim isso não justifica esses exemplos da mais ultrapassada desigualdade. Em pleno século XXI homens e mulheres mudaram os seus comportamentos. Homens se flexibilizaram e mulheres se endureceram. Por que ainda resistir a isso? Por que achar que conceitos que eram válidos na década de 70 ainda podem ser aplicados em tempos de pura competitividade? Querem pasteurizar o mundo, tornando-o o habitat de andrógenos dos dois gêneros? Respeitemos as diferenças e deixemos o povo trabalhar! Teno certeza de que disposição não vai faltar.

[Post publicado também no Mulherada]

terça-feira, 2 de março de 2010

O dia que viajei na Máquina do Tempo


Sim! Fui convidada pelo querido Ocktock a dar uma voltinha no bom e velho DeLorean rumo às terras glamourosas do Hard Rock "Farofa". O resultado dessa aventura está bem aqui. Eu adorei a viajem. Já o piloto, acho que voltou meio mareado... =) 

segunda-feira, 1 de março de 2010

[Café 22] Lições da Telona





  • Para saber o que é o Café 22", clique aqui e/ou aqui.
  • Preciso colocar algumas coisinhas aqui que no nervosim acabaram ficaram mal desenvolvidas e mesmo de fora da apresentação. Mas não vou conseguir fazer isso agora. [05/03/10] Então lá vai!
MOSTRE O SEU VALOR
Não é simplesmente "lute pelo quer ou o que deseja". É encare as dificuldades tendo em conta não as suas limitações mas os seus talentos. Use o que você tem de melhor. Busque as soluções dentro de você levando em conta o próprio ambiente e as pessoas a sua volta. Os sinais estão por aí.

O engenheiro que virou professor só venceu a resistência dos alunos à sua autoridade quando adotou métodos heterodoxos durante as aulas e, principalmente, quando passou a tratar os alunos como adultos. Deixou de ser um professor e passou a ser um amigo mais velho que sabia como aumentar a auto-estima do grupo e estimular o respeito entre eles.

A secretária que descobre que suas sugestões estão sendo "roubadas" por sua chefe vai à luta para emplacar suas idéias. Nas mazelas do mundo corporativo, algumas de suas decisões são até questionáveis. Mas ela assume a responsabilidade e apruma o foco e, com inteligência consegue atingir seu objetivo. 

Arrisque-se. Sempre temos algo a oferecer. Não subestime sua família e amigos. Principalmente, não faça deles uma desculpa para não ousar. Eles sempre vão te apoiar. No caso dos nossos heróis o estímulo para toda a ousadia em questão foi o desemprego. Na nossa vida às vezes nem precisamos chegar a tanto. Basta reconhecermos que querermos mais: queremos ser realmente felizes. Qual o seu talento oculto?

ENXERGUE, (RE)APRENDA
Não olhe a vida pela a janela. Preste atenção às coisas, pessoas e oportunidades à sua volta. Nem que para isso preciso de óculos, lupas, binóculos ou óculos 3D mas enxergue-as!  

Esse filme nos mostra que às vezes precisamos desaprender o que (achamos que) conhecemos e aprender tudo novamente. Tanto o rapaz que era cego e agora enxerga quanto aqueles que estão à sua volta. Detalhes que nunca passariam pela nossa cabeça devem ser levados em conta. E precisamos de humildade para reconhecer que, muitas vezes, precisamos mesmo recomeçar o aprendizado do zero. De peito aberto.

O que este filme tem para ensinar é muito simples: nem tudo é como vemos à primeira vista. Pense lateralmente que a solução aparece. Considere o poder da coletividade. E não esqueça de considerar a diversidade desta mesma coletividade. Vamos encontrar vários tipos na vida: os que lutam com você e os que, involuntariamente ou não, lutam contra você. Perceba a diferença entre eles e aprenda com isso.

DECIDA-SE
Faça suas escolhas. E responsabilize-se por elas.

A Qualquer Preço (1998)
Do próprio John Schlichtmann: "Era um buraco negro. Todos os que tiveram contato com o caso foram testados no sentido de mostrar quem eram, no que acreditavam e as escolhas que queriam fazer como seres humanos. O caso Woburn forçou-nos a revelar o quanto nos importávamos com a verdade ou o quanto estávamos querendo perpetuar as mentiras. Essa foi a grande magia."

O Senhor dos Anéis - A sociedade do anel (2001)
Frodo: I wish the ring had never come to me. I wish none of this had happened. 
Gandalf: So do all who live to see such times. But that is not for them to decide. All we have to decide is what to do with the time that is given to us.
Dumbledore: No spell can reawaken the dead, Harry. I trust you know that. Dark and difficult times lie ahead. Soon we must all face the choice between what is right and what is easy.

PERSISTA
Não desista. Simples assim. 

Ele decidiu entre o que seria fácil e o que era certo. Se você não o assistiu, pare tudo e alugue agora. O filme dispensa explicações ou apresentações. 

Reafirmo: Procurando Nemo é muito maior do que uma animação para crianças. Veja o filme e reflita sobre todas as suas nuances: superação de perdas, que precisamos correr riscos, conflito de gerações, ritos de passagem e amadurecimento, entender outras culturas, o preço da liberdade, amizade, confiança e persistência. Tente identificar tudo isso no filme e me mostre o que mais podemos tirar dele. Vou adorar saber que deixei ainda escapar alguma coisa.

VIVA
Só isso: nunca deixe de querer viver. ;)